segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Maria Delfina Gama em Entrevista à Cozinha Com Rosto!

Maria Delfina Gama, natural de Vila Verde, com o Curso de Introdução ao Turismo na área de Hotelaria & Turismo, bem como com a Especialização em Direção Hoteleira, tem assumido, e com elevada distinção, ao longo da sua carreira profissional, inúmeros cargos em Hotelaria e Restauração, para além der ser uma excelente Formadora e uma verdadeira conhecedora e transmissora da sua área de saber.
 
Acrescente-se, ainda, que tem recebido alguns prémios como forma de reconhecimento pelo seu trabalho prestado de uma forma exemplar e bastante coerente, tendo até chegado a publicar os seguintes livros: “O Sr. Y e Outros Senhores” (2013) e “Um Conto de Fadas num Inferno de Estrelas” (2015).
 
Neste momento, encontra-se em mudança para uma unidade hoteleira a abrir no distrito em Lisboa, onde os clientes vão poder usufruir de um SPAcom diversos serviços!

Por tudo isto, achei por bem convidar a própria Maria Delfina Gama para responder a algumas questões elaboradas por mim, no sentido de dar a conhecer, aos caros leitores deste Blog, um pouco mais sobre si e de qual tem sido, afinal, a sua experiência na área de Hotelaria e Restauração, mas também ao nível do desenvolvimento do Turismo em Portugal, agradecendo, desde já, todo o seu tempo despendido:

1.     Tendo em conta o seu valioso currículo, como é que foi chegar ao cargo de Diretora de um Hotel?

Maria Delfina Gama: Eu costumo dizer que não tenho sonhos, sempre tive e tenho objetivos a atingir: chegar a Diretora de Hotel foi um dos objetivos que tracei muito cedo, ainda jovem, passei por todas as secções de um hotel, não foi fácil. Ao contrário do que muitas pessoas que conheço há poucos anos pensam (e mesmo algumas que me conhecem desde sempre) não foi fácil nem para mim nem para os meus cinco irmãos passar ano após ano, nas férias de Carnaval, Páscoa, verão entre outros períodos em que não tínhamos aulas a lavar talheres, loiça, tachos/ panelas e a ajudar no que fosse preciso… a esses períodos acrescento a maior parte dos fins-de-semana altura em que havia sempre muitos eventos, nomeadamente, casamentos. Atingi o objetivo com muito esforço e muita disponibilidade (devo realçar que, muitas vezes, a contragosto).

2.     Mas quais deverão ser as verdadeiras valências de um bom diretor de hotel?

Maria Delfina Gama: As verdadeiras valências de um bom diretor de hotel não se aprendem em nenhuma escola, falo, por exemplo, da paixão pela profissão, do bem servir, da tentativa de chegarmos ao serviço de excelência. Foi-nos ensinado que devíamos ter orgulho em servir, servir com qualidade e nunca defraudar as expetativas dos Clientes. Paixão + bem servir são os ingredientes mais importantes para o sucesso na profissão. E isto não se aprende no exercício de funções em 2,3,4 ou 5 anos…demora muito mais tempo do que isso. Costumo dizer que um diretor de hotel é: “(…) é um chefe de família de uma que nunca vai ser a sua; é um poderoso observador que nunca vai poder falar de uma parte que observa e se obrigado a tomar medidas drásticas sobre a outra parte que observa; é uma pessoa que se vê obrigada a aprender tudo o que é inerente à sua profissão e de muitas outras para conseguir exercer a função (…). Ainda que forme o mais bem possível todos ao serviço, numa falha seja de que natureza for é sempre o apontado como responsável ainda que tudo tenha feito para resultados contrários aos obtidos. É o responsável de uma cadeia sem grades cujas saídas precárias obrigam a um contacto permanente e que tem que evitar vida pessoal (…). Obrigatoriamente acaba por ter conhecimentos de muitas outras áreas como matemática, psicologia, etc.” (referido no Livro O Sr Y)

3.      Considera as inspeções regulares do Turismo de Portugal às unidades hoteleiras importantes?

Maria Delfina Gama: As inspeções regulares aos hotéis e similares são muito importantes, lamento que agora não sejam efetuadas como o eram há uns anos, ao contrário do que muitos pensam, essas inspeções eram uma mais-valia, uma grande segurança. Além dos mencionados deviam ser feitas aos alojamentos locais, hostels, etc, também.

4.      A mão-de-obra, com tantas escolas ligadas ao turismo, agora é fácil de recrutar, correto?

Maria Delfina Gama: Na minha opinião, não, não é nada fácil. Como diz, há muitas escolas, mas não há mão-de-obra, cada vez é mais difícil encontrar funcionários com alguma formação hoteleira ou, mesmo, outras pessoas com real interesse em trabalhar nos hotéis, uma grande percentagem de pessoas que trabalham nesta área fazem-no, apenas, por que não arranjaram mais nada… somos o último recurso.

5.      E o que gostava de ver mudado e como se deve trabalhar?

Maria Delfina Gama: Para já, gostava de ver regulamentada a profissão de Diretor de Hotel novamente e com os mesmos requisitos que me foram exigidos, não sei se tem conhecimento da desregulamentação? Sempre ouvi dizer que “Roma e Pavia não se fizeram num dia” o cumprimento de objetivos e rentabilização das empresas exige tempo, tempo esse que encurta a cada dia aquando de interferências de terceiros, muitos deviam estar muito atentos a estas situações. Eu trabalho com a realidade e verdade, se vejo que não há hipótese de “levar o barco a bom porto” sou a primeira a dar esta opinião sob pena de me prejudicar a nível profissional e pessoal, a título de exemplo, há bem pouco tempo aconselhei um administrador a acabar com a restauração ou a alugar ou a vender, optou pela segunda solução. Tenho muita pena que outros assim não o tenham feito, estariam muito melhor.

6.     Já agora, o que é que está a achar do desenvolvimento do turismo no nosso país, nomeadamente na cidade de Lisboa? Será que existe uma prática de gestão sustentável, ou que tipo de iniciativas poderiam ser iniciadas nesse sentido?

Maria Delfina Gama: Este ano houve uma descida acentuada, não vejo melhoras num futuro imediato, infelizmente. Como vê pelas respostas anteriores, eu não quero dar respostas “politicamente corretas” ou que demonstrem algum saber em gestão (o que é essencial na nossa profissão, logo temos esses conhecimentos) nem falar em ideias ou iniciativas e porquê? Por que ao longo dos anos tenho dado o parecer a várias entidades que se fazem de cegos, surdos e mudos! Por outro lado, ingenuamente, dei muitas ideias que foram aproveitadas por terceiros como suas. Tenho o hábito de dizer que hoje, comparativamente, com há 30/40 anos temos magníficas infraestruturas, mas…

7.     Entretanto, pelas pesquisas que eu fiz, eu sei que também já escreveu 2 livros, “O Sr. Y e Outros Senhores” (2013) e “Um Conto de Fadas num Inferno de Estrelas” (2015), por isso diga-me quais é que foram os seus propósitos na altura, descrevendo-me um pouco cada um deles, para os leitores deste blog ficarem também a conhecê-los.

Maria Delfina Gama: Sim, é verdade que já editei dois livros, infelizmente, não editei mais por que é bastante dispendioso e o retorno, no meu caso, não é nenhum.

O Sr Y e Outros Senhores – Hotelaria & Restauração No Seu Melhor com 376 pequenas histórias, cuja interpretação fica à consideração dos leitores, editei convicta que alguém pegaria nele e iria entender a minha mensagem, que não era mais do que a necessidade demonstrar que o bem da empresa é o bem de todos os que nela trabalham sendo imperiosa a necessidade de nunca defraudar as expectativas dos Clientes contudo, pese ter explicado a algumas pessoas, o que foi passado para o grande público é que era um género de retaliação ás entidades patronais!!! Nada mais absurdo!!! Puxando “a brasa à minha sardinha” como se costuma dizer este livro devia ser bem estudado nas escolas de hotelaria (…)

Quanto ao “Um Conto de Fadas Num Inferno de Estrelas – A Europa Aberta a ideia surgiu pelo meu constante descontentamento das fronteiras abertas. A segurança é muito importante, sempre viajei e nunca tive quaisquer problemas nas fronteiras, hoje temos tudo, não há necessidade de se ir a Espanha buscar isto ou aquilo… quer dizer, na verdade, quem vai buscar gás pela disparidade de preço talvez não o pudesse fazer, mas a gasolina seria igual… Por mero acaso dou como exemplo o transporte de droga, mas poderia ser outro produto qualquer, aproveitei para falar em imensos locais de Portugal, Espanha, Andorra e Itália. 80% é em Itália que eu conheço bem e merecem ser visitados.

Uma ficção que muitos leitores adoraram e aguardam o segundo volume.

8.     Por acaso acreditava em contos de fadas quando era criança?

Maria Delfina Gama: Tinha feito 5 anos em Abril e entrei nesse ano na escola primária, comecei a ler muito cedo livros Anita, dos 5, dos 7 Enid Blyton, Clarissa do Érico Veríssimo, Pearl Buck, Agatha Christie, etc. que me permitiam viajar, mas nunca acreditei em contos de fadas! Talvez, por que, no dia-a-dia nos faziam sentir bastante o esforço que existia para podermos ter tudo, o que na verdade sempre tivemos.

9.     E por quantas pessoas Y é que já se cruzou por aí?

Maria Delfina Gama: Já me cruzei com muitas pessoas Y, mas seria muito injusto dizer que no grupo Y são todas iguais. Não corresponde à verdade. Existem pessoas Y, por estranho que pareça, de quem gosto bastante…

10.     Afinal, o que é que significam, para si, as palavras “Braga” e “Ericeira”?

Maria Delfina Gama: Braga significa berço, casa, Família, escola, grandeza… Ericeira significa paz, liberdade, trabalho…

11.     No que diz respeito à culinária, quais é que foram os melhores pratos que já lhe serviram até hoje e onde?

Maria Delfina Gama: Não quero correr o risco de não mencionar alguns locais pelo que se não se importa preferia, talvez, dizer quais os restaurantes que mais gosto em Braga e na Ericeira?

Em Braga, Trotas Restaurante, em especial as Francesinhas e Papas de Sarrabulho, Restaurante Paulo Padeiro, em especial Cabrito no Forno, Restaurante Victor em São João de Rei, Bacalhau Assado é excecional… Na Ericeira Restaurante Gafanhoto que tem todos os dias pratos caseiros excelentes como o Cozido à Portuguesa, Tik Tapas  e Tik Tak … restaurantes abertos há décadas com um serviço de excelência.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

A Origem e Duas Receitas de Cavacas de Resende!

Ò freguesinho, não vai meio arrátele? Olhe que são de Resende!”, era desta forma que as doceiras do concelho apregoavam, no século XIX, um dos doces regionais mais deliciosos e apreciados nesta região duriense: as Cavacas de Resende
Este relato é referido num Jornal da época, que ainda salienta o seguinte: “Logo de manhã as doceiras estendiam sobre a toalha, toda franjada de rendas, vários doces muito cobertos de açúcar que despertavam a gulodice dos romeiros”.

Cavaca é um doce de origem portuguesa. Este doce nasceu nos velhos conventos de Portugal. A sua receita contém ovos, açúcar, farinha, óleo de girassol e baunilha.

Um dos exemplares mais conhecidos são então as Cavacas de Resende, oriundas do concelho de Resende, tendo encontrado algumas variações, a partir das quais selecionei duas, para mais tarde ainda ser selecionada só uma, de forma a voltar inscrever-me na 7.ª Edição do Concurso de “A Mesa dos Portugueses, ou seja, deste ano, na categoria da «doçaria» a ver com a zona da «Beira Interior»!

Uma lenda sobre a sua possível origem:

“Na Idade Média, uma senhora que residia em Vinhós preparava a boda de casamento da sua filha e confeccionou o bolo de noiva, entretanto, o casamento teve de ser adiado devido a uma peste que estava a assolar o concelho e, dadas as parcas possibilidades económicas, a senhora viu-se obrigada a conservar o bolo até á data do casamento, pelo que retirou a parte de cima daquele e molhou a parte restante numa calda de açúcar que lhe restituiu a frescura e fez as delícias de todos os convidados.”

Já agora, qual a vossa opinião a ver com cada uma das receitas imediatamente abaixo descritas?
Por acaso já alguém experimentou a fazer alguma delas?
E será que preferiam igualmente a RECEITA 2, tal como eu, talvez por ser, na minha mais modesta opinião, a mais próxima da receita original?

RECEITAS NA CATEGORIA DE SOBREMESA:
  • Cavacas de Resende 1

Ingredientes:
 
Para a massa:
  • 280 g de farinha
  • 250 g de açúcar
  • 7 gemas + 6 ovos
  • Margarina para untar
  • Farinha para polvilhar
Para a calda:
  • 150 g de açúcar
  • 1,5 dl de água
  • 2 colheres (sopa) de Vinho do Porto
Para o glacé:
  • 2 claras
  • 4 colheres (sopa) de açúcar em pó
Confeção:
 
  1. Ligar o forno a 180°C e barrar um tabuleiro com margarina para depois ser polvilhado com farinha.
  2. Deitar os ovos para uma tigela, juntar as gemas e o açúcar, batendo durante 20 minutos.
  3. Adicionar a farinha peneirada e misturar tudo muito delicadamente.
  4. Deitar a mistura anterior para o tabuleiro reservado e levar ao forno durante 35 minutos, devendo verificar a cozedura com um palito, para depois retirar, desenformar e deixar arrefecer.
  5. Preparar a calda: deitar a água e o açúcar para um tacho, levando ao lume para deixar ferver.
  6. Desligar o lume, juntar o Vinho do Porto e deixar arrefecer.
  7. Fazer o glacé: bater as claras em castelo, juntar o açúcar em pó e misturar bem.
  8. Cortar o bolo em fatias retangulares, devendo ser regadas com a calda e ainda barrar por cima com o glacé, deixando depois secar antes de servir.

Esta delícia da doçaria tradicional, conhecida desde tempos imemoriais, ainda é feita, por regra, à moda antiga, mexida à mão e cozida nos fornos alimentados a lenha, tal como faziam no tempo dos nossos avós.
 
Segundo o método artesanal, a massa bate-se num aparelho movido à mão denominado “banco” (utensílio constituído por um alguidar dentro de um banco, ladeado por umas correias que batem a massa), devem utilizar-se ovos muito frescos e caseiros.
  • Cavacas Resende 2
Ingredientes:
  • 320 gr de farinha 
  • 750 gr de açúcar
  • 15 ovos   
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 200 ml de água 
 Confeção:
  1. Ligar o forno a 180°C e deixar já preparado um tabuleiro retangular, de bordos altos, bem untado com a manteiga e polvilhado com farinha q. b..
  2. Misturar 8 ovos inteiros com 7 gemas numa tigela, para depois adicionar 250 gr de açúcar e bater tudo muito bem cerca de 20 minutos.
  3. Juntar 280 gr de farinha peneirada e misturar delicadamente ao preparado anterior, até a massa ficar bem ligada e homogénea.
  4. Deitar a massa no tal tabuleiro reservado, para logo a seguir levá-la a cozer ao forno durante cerca de 30 minutos.
  5. Quando verificar que a massa já está cozida com a ajuda de um palito, deve ser retirada do forno e virada sobre um guardanapo, deixando-a assim a arrefecer.
  6. Entretanto, preparar uma calda de açúcar em ponto de espadana com 500 gr açúcar e a água, podendo recorrer-se a um termómetro, cuja temperatura a atingir deverá ser de 117º.
  7. Após cortar o bolo em fatias retangulares com cerca de 5 cm de largura, molhar os lados de cada fatia na tal calda de açúcar, com cuidado, para além de pincelar a superfície com a mesma, seguida imediatamente de um pouco de farinha com a ajuda de uma colher, de forma a ficar esbranquiçada ao endurecer.
  8. Deixar as cavacas secarem sobre uma grade, sendo ótimas para serem servidas mais tarde com Vinho do Porto.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Bolinhos de Abóbora do Convento de Odivelas!

O Mosteiro de São Dinis de Odivelas, ou Mosteiro de Odivelasclassificado, desde 1910, como Monumento Nacional, localiza-se no largo de D. Dinis, freguesia de Odivelas, Portugal. Acrescente- se ainda que este mosteiro, da Ordem de Cister, foi fundado, em 1295, por D. Dinis, o Lavrador, ou Poeta, ou seja, pelo Rei de Portugal e do Algarve de 1279 até a sua morte. 


Reza a lenda que D. Dinis tomou esta iniciativa como forma de pagamento de uma promessa feita a São Luís, quando, numa caçada no Alentejo, foi surpreendido por um urso. Perante a aparição do santo, o rei recobrou forças e conseguiu neutralizar o enorme animal.

A escolha do local para D. Dinis cumprir a sua promessa incidiu numa propriedade do Rei no termo de Lisboa, Odivelas, onde se situava a “Quinta das Flores”. Esta zona gozava de ótimos recursos naturais, nomeadamente: solos férteis, um curso de água, e ainda uma morfologia que formava um abrigo natural para as culturas. O mosteiro destinava-se a receber uma comunidade feminina cisterciense, e a escolha do local pretendia assegurar a subsistência das monjas e garantir o recato das mesmas, sendo criados campos de cultivo junto ao mosteiro. 

Em 1325 morre D. Dinis e, conforme sua vontade, é sepultado no mosteiro que representa talvez a obra arquitetónica mais emblemática do seu reinado; entre 1900 e 2015 funcionou no mosteiro o Instituto de Odivelas; em 2017 o Exército cedeu o mosteiro à Câmara de Odivelas.

Por outro lado, também se sabe que o chamado Pinhal de Leiria foi inicialmente mandado plantar pelo rei D. Afonso III (1248-1279), no século XIII, com o intuito de travar o avanço e degradação das dunas, bem como proteger a cidade de Leiria e o seu Castelo e os terrenos agrícolas da sua degradação devido às areias transportadas pelo vento. 
Mas, mais tarde, entre 1279 e 1325, foi aumentado substancialmente pelo mesmo rei D. Dinis I, para as dimensões atuais. 

E este mesmo pinhal foi muito importante para os Descobrimentos Marítimos, pois a madeira dos pinheiros era usada para a construção de embarcações e o pez (alcatrão vegetal extraído dos pinheiros) foi ainda usado para proteger as caravelas. 

RECEITA NA CATEGORIA DE SOBREMESA: Bolinhos de Abóbora do Convento de Odivelas

Estes bolinhos, de origem conventual, são portanto típicos de Odivelas, logo da região de Lisboa, de onde provêm outras receitas igualmente deliciosas, tais como a Marmelada Branca de Odivelas, que eu por acaso também já experimentei a fazer!

Os bolinhos de Abóbora são feitos à base de abóbora, açúcar, coco e ovos, mas também fáceis de preparar e ótimos para saborear a qualquer hora, bom proveito!

Ingredientes:

  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 200 gr de açúcar
  • 4 ovos
  • 400 gr de abóbora
  • 60 gr de coco ralado
  • 70 gr de farinha de trigo
  • açúcar em pó p/ polvilhar












 Confeção do modo Tradicional:

  1. Cozer a abóbora em água a ferver;
  2. Coar a água e reservar a abóbora;
  3. Retirar 130 ml da água da cozedura, juntar o açúcar e levar ao lume até levantar fervura;
  4. Adicionar a abóbora e deixar apurar um pouco;
  5. Passar o preparado com a varinha mágica e acrescentar o coco;
  6. Manter alguns minutos ao lume, a temperatura moderada;
  7. Retirar do calor e deixar arrefecer um pouco;
  8. Ligar o forno a 180º C;
  9. Adicionar os ovos ao preparado e misturar;
  10. Juntar a farinha e o fermento, envolvendo bem, até obter uma massa homogénea;
  11. Colocar formas de papel nas formas dos queques e deitar nelas a massa;
  12. Levar ao forno cerca de 20/25 minutos;
  13. Deixar arrefecer os bolinhos e polvilhá-los com açúcar em pó.


Confeção na Bimby:

  1. Colocar no copo a água e o cesto com a abóbora e programar 20 min/ Varoma/ vel 2.
  2. Retirar e reservar a água da cozedura.
  3. Colocar no copo 130 g da água reservada, o açúcar e programe 20 min/ Varoma/ vel 1.
  4. Adicionar a abóbora, programar 30 segundos e triturar, progressivamente, até à velocidade 7.
  5. Acrescentar o coco e programar 5 min/ 100º C/ vel 2.
  6. Retirar o copo da base da Bimby e deixar arrefecer até aos 60º C.
  7. Ligar o forno a 180º C.
  8. Adicionar os ovos e misturar 1 min/ vel 2.
  9. Juntar a farinha e o fermento e programar 20 seg/ vel 3.
  10. Colocar formas de papel nas formas dos queques e deitar nelas a massa.
  11. Levar ao forno cerca de 20/25 minutos.
  12. Deixar arrefecer os bolinhos de abóbora e polvilhá-los com açúcar em pó.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

PLANTAS PARA COLHER E DEGUSTAR: texto 13 - Urtiga (by Miguel Boieiro)

«Mandar alguém às urtigas», para que não nos aborreça mais, tornou-se um dito corrente. E se de facto, a expressão indica menosprezo por quem nos incomoda, também não coloca em alta conta, a urtiga, «erva desprezível» que queremos ver longe de nós. Trata-se de uma tremenda injustiça, aproveitamos para dizer e mais à frente explicaremos porquê.

Não restam dúvidas que a urtiga está disseminada por todo o lado e que as suas picadelas não são nada agradáveis. Por isso mesmo, é das plantas silvestres mais conhecidas. Diremos mesmo, não há ninguém que não a conheça. Para quê então, vir aqui falar dessa ervinha que toda a gente tem a «desdita» de conhecer? Na verdade, as aparências iludem, dado que a urtiga ocupa lugar de destaque na fitoterapia e não só.

Existem várias espécies de urtigas, mas todas elas pertencem à família das Urticáceas e têm propriedades praticamente iguais. Entre nós, a mais profusa é a Urtica dioica que alastra por todo o país. Chega a atingir 1,5 m de altura, tem caule ereto e folhas ovais, opostas e dentadas. As flores, de cor verde, ramificam-se em espigas colocadas nas axilas das folhas superiores. Toda a planta está coberta de finos pêlos cuja picada origina muita comichão devido a conter um produto histamínico. Esta propriedade constitui uma defesa da própria planta que assim fica menos apetecível para os diversos animais.

Para além da histamina, a urtiga contém numerosos compostos, ácido fórmico, caroteno, abundante clorofila, tanino, ferro, potássio, cálcio, enxofre, silício e é rica em vitaminas C, B2 e B6. Tal constituição implica variadíssimas propriedades, entre as quais, a de ser depurativa, anti anémica, hemostática, antidiabética, etc.

Vamos agora detalhar alguns dos seus potenciais usos, cujos efeitos benéficos se encontram comprovados, surpreendendo, por ventura os mais desprevenidos.

Em primeiro lugar, queremos referir que a cáustica picada da urtiga é extremamente útil para os doentes de reumatismo, paralisia e deficiente circulação sanguínea. Esfregar a pele com urtigas provoca uma excelente reação nas pessoas fracas e anémicas. Escritos antigos apontam mesmo, como muito eficaz, a fricção do baixo-ventre como meio de estimular as funções sexuais, quer para homens, quer para mulheres. Não custa nada fazer a experiência! 

(Um breve parêntesis para referir que quando esta minha croniqueta foi publicada no jornal local alguns idosos que se reúnem todos os dias no largo principal da vila abordaram-me alegremente falando deste pormenor. O artigo era vasto mas eles só se detiveram neste detalhe. Logo pensei: 
– Queres ver que eles já experimentaram ou estão a fim de experimentar!)

O «chá» de urtigas (30 g de folhas secas para um litro de água, ou 60 g da planta verde, o que é preferível) é bom para os diabéticos e anémicos. Para uso externo (irrigações) estanca as hemorragias. Melhor será, contudo, utilizar o suco da urtiga, tomando-se uma colher de sopa, duas ou três vezes ao dia. Há naturopatas que recomendam ainda a decocção, a maceração, ou o xarope.

Em cosmética é famosa a ação da urtiga para o tratamento do couro cabeludo e da queda do cabelo. Diversas loções capilares são preparadas com base nos seus princípios ativos.

Muita gente ficará espantada e incrédula se lhes dissermos que as urtigas podem ser consumidas como qualquer legume hortícola. Pois é verdade, a urtiga entra também na gastronomia onde poderá ter um lugar de maior destaque se as pessoas abandonarem preconceitos e tabus. Como? Muito simplesmente como se de nabiças ou de espinafres se tratasse. Basta passar as plantas por água tépida para que deixem de picar. Depois separam-se os talos (demasiado fibrosos) e aproveitam-se as folhas que são ótimas para a confeção de sopas e outros pratos cozinhados. Não conhecemos melhor esparregado do que o de urtigas. Devido ao alto teor de clorofila, o esparregado mantém uma cor verde agradável, ao contrário do que acontece em determinados restaurantes onde o verde vivo do esparregado se deve à utilização do bicarbonato de sódio. O sabor? É agradável e ninguém descobre que provém das urtigas, se não lhe dissermos.

Finalmente queremos ainda acrescentar que estudos efetuados acerca dos efeitos das associações vegetais revelaram que a presença da urtiga melhora o desenvolvimento de outras plantas, como as ervas aromáticas, cujo teor em essências sai reforçado

 Miguel Boieiro