segunda-feira, 26 de março de 2018

Happy Easter!

Ora aqui está a minha proposta de ementa para o vosso dia da Páscoa passado em família!

E tal como já referi no ano passado aquando do texto SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO: O TERMO PÁSCOA E OS SEUS SIMBOLISMOS E TRADIÇÕES, a Páscoa, sobretudo ao nível dos países católicos, é uma das celebrações mais importantes da Igreja Cristã, uma vez que significa a ressurreição de Jesus Cristo, logo o próximo dia 1 de abril poderá significar também um tempo especial de mudança e de renovação do nosso próprio interior, não concordam?

No entanto, mesmo para os não crentes, a Páscoa pode assumir-se, portanto, como um dia de intensa festividade e celebração entre os que são mais próximos, onde à mesa não pode faltar alguns tipos de iguarias, dependendo ao mesmo tempo da região onde nos possamos situar. 

Desta forma, apresente-se já de seguida um dado conjunto de: entradas, sopa, prato principal de carne, bebida, sobremesa.
Espero que gostem e que apreciem tanto como eu, ou… mais ainda!
E, para todos, sem exceção, desejo, tão somente, uma… Páscoa feliz!

RECEITAS NA CATEGORIA DE SNACK:
  • Folhadinhos de Espargos e Presunto

Ingredientes:

  • 1 base de massa folhada de compra retangular
  • 6 fatias de presunto
  • 6 colheres de chá de pasta para Bruschetta de Chilli
  • 12 espargos verdes
  • 1 gema

Confeção:

  1. colocar o forno a aquecer a 180ºC
  2. estender a massa folhada e cortar 6 quadrados
  3. colocar 1 fatia de presunto por cima de cada quadrado, juntamente com 1 colher de chá de pasta para Bruschetta de Chilli
  4. distribuir os espargos por cada quadrado anterior, para em seguida fechar cada um deles, sobrepondo as pontas
  5. pincelar os folhados com a gema e levar ao forno cerca de 15 minutos

RECEITA NA CATEGORIA DE SOPA

  • Creme de cogumelos (receita confecionada na Bimby)

Ingredientes:

  • 250 gr de cogumelos frescos
  • 700 gr de água
  • 50 g farinha
  • 1 cubo de caldo de legumes
  • sal q.b.
  • 200 g leite
  • 50 g natas
  • 4 pés de salsa, mas só a parte das folhas
  • manteiga q. b.

Confeção:

  1. colocar, no copo, 200 gr cogumelos e picar 5 seg com velocidade 4
  2. adicionar a água, o leite, o cubo de caldo de legumes, a farinha e o sal, deixando cozer tudo durante 10 minutos, a 100ºC e com uma velocidade 3
  3. juntar as natas e a salsa, programando 2 minutos, a 90ºC e com uma velocidade 2
  4. triturar durante 30 segundos a uma velocidade progressiva entre 5 e 7, servindo quente com 50 gr de cogumelos salteados com um pouco de manteiga e sal

RECEITA NA CATEGORIA DE CARNE:Lombo de Porco recheado de Farinheira assado no forno com Legumes acompanhado de Puré de Castanhas

  • Lombo de Porco recheado de Farinheira assado no forno com Legumes

Ingredientes:

  • 1 lombo de porco recheado de farinheira com uns raminhos de coentros e alguns pedaços de ananás
  • 1 cálice de Vinho do Porto
  • chalotas q. b. cortadas ao meio
  • 1 ramo de ervas aromáticas
  • Sal, Pimenta, Margarina e Azeite q. b.
  • tiras de pimento verde q. b.
  • 2 tomates maduros cortados aos quartos
  • 2 cenouras descascadas e cortadas às rodelas
  • 6 alhos esmagados
  • 1 cubo de caldo de galinha

Confeção:

  1. Distribuir o azeite, as cenouras, os alhos e os pimentos pelo tabuleiro de ir ao forno, para logo a seguir colocar o lombo por cima e ao centro
  2. rodear o lombo com as chalotas e os tomates
  3. verter o vinho do Porto por cima do lombo, para em seguida espalhar o cubo de caldo de galinha já desfeito em pó e alguns pedaços de margarina
  4. levar a assar em forno pré aquecido a 160º, cerca de 1,5 h, tendo o cuidado de o tapar com, por exemplo, uma folha de papel de alumínio, de forma a ser retirada nos últimos 20 minutos
  5. Entretanto, preparar o puré de castanhas descrito abaixo, de forma a ser também servido juntamente com o molho criado no forno dentro de uma molheira, tal como se pode ver nas respetivas imagens
  • Puré de Castanhas

Ingredientes:

  • ½ kg de castanhas congeladas
  • 30 gr de manteiga
  • leite, sal e pimenta preta moída q.b.

Confeção:

  1. cozer as castanhas em água temperada com sal
  2. escorrer as castanhas, reduzindo-as de seguida a puré
  3. num tacho, juntar a manteiga e o leite, temperando tudo a gosto com o sal e a pimenta
RECEITAS NA CATEGORIA DE SOBREMESA:
  • Brigadeiros de Cenoura

Ingredientes:

  • 800 gr de cenoura cortadas aos bocados
  • 2 colheres de sopa de amido de milho
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 2 colheres de chá de gengibre em pó
  • 300 gr de chocolate branco derretido
  • 200 gr de coco ralado e mais q b. para polvilhar
  • sal q. b.

Confeção:

  1. colocar as cenouras a cozer coágua e sal
  2. escorrer a água e triturar tudo muito bem
  3. adicionar o amido de milho e levar ao lume a engrossar, para depois retirar do lume e deixar arrefecer
  4. juntar o mel, o gengibre e o chocolate branco derretido, mexendo tudo muito bem
  5. engrossar o preparado anterior com o coco ralado, de forma a conseguir fazer-se bolinhas
  6. levar tudo ao frigorífico, para as bolinhas ficarem suficientemente rijas e serem novamente passadas por coco ralado na hora de servir
 RECEITA NA CATEGORIA DE BEBIDA
  • Limonada com folhas de hortelã (receita confecionada na Bimby)

Ingredientes:

  • 2 limões lavados e cortados em quartos
  • 100 g açúcar
  • 1 l de água
  • folhas de hortelã q. b.

Confeção:

  1. colocar, no copo, os ingredientes acima descritos e premir a tecla Turbo durante 1 Seg, segurando sempre o copo de medida
  2. introduzir o cesto dentro do copo e coar a limonada para um jarro com folhas de hortelã a gosto, servindo logo de seguida
(fontes: receitas adaptadas da Revista Lusitana n.61 e do Livro ABC da Bimby,

sexta-feira, 23 de março de 2018

Susana Ribeiro em entrevista à Cozinha Com Rosto by Mónica Rebelo!

Susana Ribeiro vive em Vila Nova de Famalicão e está atualmente no final da licenciatura em Gestão de Atividades Turísticas.
 
Mas se por um lado afirma ser “apaixonada pela arte de viver”, e por outro assume “viver num mundo de opiniões irreverentes ou sonhos cor de rosa”, o Cravo e Canela, então convido-vos, desde já, a conhecerem, meus caros leitores deste blog, “uma mulher e pêras” e apologista do lema “mente sã em corpo sã”.
 
Já agora, no que diz respeito ao prato típico que mais aprecia ao norte de Portugal, sublinha, por exemplo, a Francesinha do Porto ou do Minho; mas quando vai para a cozinha, gosta de improvisar e particularmente adora elaborar vários tipos de panquecas!

1) Para começar, o que a levou a criar um blog e qual a sua razão para ter escolhido um nome tão sugestivo quanto o de “Cravo e Canela”? 

Susana Ribeiro: A principal motivação que me levou a criar um blog, foi desde sempre ser apaixonada por comunicação e escrita. Desde muito nova que adorava escrever e debater assuntos dos quais me interessavam. Junto disso, várias amigas, particularmente uma grande amiga minha, a Joana Campos, sugeriam a criação de um projecto meu, que me incentivou a acreditar mais em mim. 
O nome, confesso que já tinha meio layout da página elaborado, possíveis temas a abordar, no entanto não tinha ideia de nome. Contudo, e habitualmente devido aos meus hábitos alimentares, coloco canela no iogurte; num dos meus lanches de verão, enquanto o fazia, surgiu “Cravo e Canela”.

2) Algures, nesse mesmo blog, afirma que “eu preservo tanto a nossa saúde física e mental”, logo concorda com a necessidade de cada um de nós preservar a sua própria identidade e de conseguir manter ao máximo o equilíbrio entre o seu «corpo» e a sua «alma», é isso?

Susana Ribeiro: Sim, “mente sã em corpo sã”! Adoro desporto e a capacidade de libertar a nossa energia ou stress acumulado em actividades físicas, como uma corrida pela manhã, uma ida ao ginásio, um passeio de bicicleta… É importante saber desafiar o nosso corpo, em virtude de melhorar a nossa estética e a nossa saúde. 
No entanto, do que vale um corpo bonito numa mente obstruída e sem controlo? Nada. Tenho diagnosticado ansiedade crónica há cinco anos, e é também um dos temas que abordo no blog, e o nosso otimismo e paz interior é tão ou mais importante como um corpo esbelto.

3) E por acaso pratica algum tipo de dieta alimentar em especial? Gosta de cozinhar?

Susana Ribeiro: Não propriamente. Tenho cuidados especiais em beber muita água, comer de 3 em 3 horas, limitar-me a uma ou duas refeições “asneirentas” na semana, evitar hidratos de carbono a partir das 18h e refeições ricas em proteínas e energéticas. 
Sim! Gosto de improvisar em tudo o que cozinho. Particularmente adoro elaborar vários tipos de panquecas. 

4) Eu, particularmente, aprecio muito o facto das pessoas quererem arriscar, apostando ao mesmo tempo na sua criatividade, por isso, eu pergunto-lhe: quais é que serão, afinal de contas, os seus principais objetivos para um futuro mais próximo e as suas maiores expectativas?
 
Susana Ribeiro: Para um futuro mais próximo, espero alcançar o maior número de pessoas e marcas a seguirem e admirarem o meu projecto, que me dedico com muito carinho e esforço.  Contudo, um dos meus principais objectivos é futuramente escrever um livro, sendo este já um sonho de criança.
No entanto, gosto de levar um dia de cada vez e ser surpreendida pela vida.
 
5) Sendo Vila Nova de Famalicão a sua terra natal, por acaso considera-se, digamos que, “uma mulher do norte”?
 
Susana Ribeiro: Sim! “Uma mulher e pêras” (usamos bastante esta expressão no Norte). No norte somos mais liberais e arrojados. Eu sou uma pessoa muito transparente e de riso fácil, mas com muita confiança e determinação.
6) E a sua formação em Gestão de Atividades Turísticas, como está a correr?
 
Susana Ribeiro: Estou no último semestre, termino em Julho se tudo correr bem! Actualmente estou a terminar as últimas unidades curriculares da licenciatura e a desenvolver um Projecto sobre a Casa Museu de Camilo Castelo Branco.  
7) Já agora, o que tem a dizer acerca do desenvolvimento da atividade turística no nosso país? Será que sempre estamos a ir pelo melhor caminho, conseguindo atrair mais e mais estrangeiros, ou será que tudo isto não passa simplesmente de um «sonho», sendo tão-somente a consequência direta do que se tem passado nos outros países?
 
Susana Ribeiro: Não. Não é um sonho. O Turismo é uma actividade que tem tudo para crescer, tanto em Portugal como nos restantes países. O ser humano tem uma extrema curiosidade em conhecer o que existe para lá das fronteiras dele e de sobretudo partilhar, com a sua comunidade, experiências. Portugal tem imensa variedade de turismo para oferecer, como sol e mar, cultura, montanha, gastronomia…. Imenso. Paralelamente, hoje em dia, as distâncias estão cada vez mais curtas e económicas, portanto têm tudo para crescer.  No entanto, em Portugal, apesar de o sector do turismo equivaler a mais de 20% do nosso PIB, ainda não existe valorização pelos qualificados na área, levando a uma falta de confiança pelos que mais deviam acreditar.
 
8) Para terminar, seria capaz de indicar, aos leitores do blog Cozinha Com Rosto, qual o prato típico que mais aprecia ao norte de Portugal? E no que diz respeito a, por exemplo, roteiros turísticos, seria possível indicar também algum?
 
Susana Ribeiro: Não há nada como uma Francesinha no Porto ou no Minho. Já comi em vários locais do país e nenhuma se iguala. No entanto, o Rojões à Minhota ou à Moda do Porto também aprecio e aconselho.
Dois possíveis roteiros que aconselho seria a visita ao centro Histórico do Porto, o Cruzeiro das 7 pontes no Rio Douro com visita às caves e a visita interior à Torre dos Clérigos. 
Em segundo lugar, a lindíssima cidade berço, Guimarães! Sugeria uma visita pelo centro histórico, o castelo de Guimarães e o nobre Paço dos Duques.   
Portanto, aqui ficam também algumas dicas ao nível de possíveis roteiros turísticos ao Norte de Portugal, país este potencialmente tão ou mais rico do que se calhar julgamos ser, apesar do “fado” que há em nós!
E obrigada pelo seu tempo despendido, minha cara seguidora Susana Ribeiro, desejando-lhe muito sucesso!
Para finalizar, se quiserem também ficar a par da entrevista que a própria Susana Ribeiro fizera, há bem pouco tempo, sobre mim e do meu blog Cozinha Com Rosto, clique no seguinte link:

segunda-feira, 19 de março de 2018

Chef Chakall em entrevista à Cozinha Com Rosto by Mónica Rebelo!

Num final de tarde, em Marvila, Lisboa, estive à conversa com o Chef Chakall no seu mais recente habitat gastronómico, o Refeitório do Senhor Abel lado a lado com o Heterónimo BAAR (ver texto anteriormente publicado, neste blogue, com o título de “O Refeitório do Senhor Abel e o Heterónimo BAAR!”).
Conversámos sobre tudo um pouco: os seus projetos, inspirações, desejos, recordações, os hobbys, receitas preferidas…
Por isso, se quiser saber um pouco mais acerca de um dos mais conceituados Chefes de Cozinha a morar no nosso país, Chef Chakall, e sobre o que ele também tem a dizer sobre nós e o mundo lá fora, leia, já de seguida, caro leitor deste blogue, toda a entrevista criada especialmente para si, na íntegra:

Antes de lhe colocar a primeira questão, gostaria de agradecer toda a sua atenção, no sentido de me receber neste seu espaço, tomando um pouco do seu tempo, que de certeza será sempre pouco para atender a tantos pedidos; é uma honra, portanto, estar aqui, junto a alguém que eu caracterizo como sendo, em primeiro lugar, bastante alegre e bem disposto com a vida e os outros:

1) Tanto quanto eu sei, o Chef Chakall nasceu em Tigre, Buenos Aires, a 5 de Junho de 1972, sendo filho de, digamos que, de várias nacionalidades, já que os seus pais são de origem galega, suíço-alemã, basco francês, italiana e indígena do Norte da Argentina, correto?

Chef Chakall: Correto!

2) Então como é que foi crescer no meio de tantas culturas e tradições diferentes? E qual é aquela história de infância que mais se recorda e foi mais importante para si de alguma maneira?

Chef Chakall: Uhhhh! Está agora a perguntar-me qual foi a minha história, mas eu acho que eu sempre me lembro só de história trágicas ou cómicas ou coisas da infância… eu lembro-me de trágicas: uma vez eu fui picado por abelhas (…) lembro-me de uma vez perder-me de noite e chegar a minha casa caminhando (donde começa a história do meu nome Chakall!)… fazer 4 km para chegar a minha casa, sendo uma criança de 6 anos, através do campo, de noite “fechada”… lembro-me bem, porque estava um pouco aterrorizado, mas não chorei e não desesperei!
Lembro-me de muitas coisas: de comidas, de cheiro a assados da Argentina… lembro-me, de uma vez, o meu pai dar-me a beber vinho, para aí com 5 anos, vinho com soda, e todos os amigos dele a rir, mas era uma coisa cultural (…) antes era dar álcool às crianças e hoje era impensável!
3) Também sei que estudou jornalismo na Universidad del Salvador, trabalhando paralelamente como jornalista no diário El Cronista de Buenos Aires, estou certa?
Chef Chakall: Na realidade, eu comecei pela cozinha, pois eu sou a 4ª geração de “donos de restaurante”: eu cresci numa cozinha, onde a minha mãe é Chef; o meu pai era ator, mas também tinha um restaurante (…); meus avós, um na Itália tinha restaurante e outro na Suíça também, outro na Galiza também… ou Pasteleiro ou “dono de restaurante”, sou Cozinheiro, digamos que ligado à Gastronomia!
Quando eu cresci, o restaurante sempre foi sempre, digo, o meu karma: tentei estudar jornalismo, estudei jornalismo!
Eu não gostava de ter o cheiro da comida na roupa: quando eu comecei a sair com miúdas, com 15 ou 16 anos, eu estava com “cheiro a comida” e odiava e então eu dizia que “nunca vou ser Cozinheiro”, mas é o karma das coisas e «o filho de cozinheiro acaba cozinheiro», não há muita esperança!
Parece que não, adiamos tudo, os empregados estão a queixar-se, lembro-me de em miúdo estar a ouvir essas críticas e “eu nunca vou ter um restaurante e eu nunca vou fazer isto”, porque é horrível, porque quando o restaurante está cheio é um problema, quando está vazio é um problema, é sempre um problema…
4) E como é que afinal chegou a este mundo da culinária? E de onde é que vem toda essa inspiração para estar sempre a criar novos pratos cheios de sabor e paixão pelo que faz?
Chef Chakall: A minha mãe é cozinheira suíça-alemã, muito estrita, muito mais estrita do que eu; eu sou um pouco, assim «fantoche na cozinha», mas agora sou um pouco mais sério, mas já fui menos!
E a inspiração são as viagens: sobretudo, sou curioso… quando uma pessoa estuda jornalismo é porque é curioso: (…) o prato, como aquele, como é feito, porque é feito assim (…) eu gosto das culturas… entender a cultura popular é que é o mais importante: porque o bacalhau é popular em Portugal, e a carne, etc, etc…
E eu acho que uma coisa leva a outra (…) e acabo aqui, sendo o «palhaço da cozinha»!
 
5) Agora, de todos aqueles projetos em que teve a oportunidade de participar até hoje, quer tenha a ver com livros, programas de televisão, moda, empresa de catering, restaurantes ou até mesmo viagens, selecione aquele que mais lhe deu prazer realizar e diga porquê. 
 Chef Chakall: Acho que todo o projeto me deu muito prazer no início, um ano: eu adoro fazer coisas e no momento em que está a “andar”, já está… gosto de ver a “coisa” a desenvolver até ao ponto em que quero fazer “coisas novas”…
Acho que sou curioso, por exemplo, vou dar um exemplo: eu fiz já uns 15 formatos de televisão diferentes em 5 países, 4 continentes, e nunca faço mais do que 2 temporadas, nunca, aborreço-me, não consigo, é o chegar (…) é o sucesso  de audiências, acabo à 2ª temporada e digo que preciso de fazer uma coisa diferente, já é o limite para mim… estar a fazer a mesma coisa, mesmo que, de temporada a temporada haja uma reformulação ou uma mudança de estilo para ser diferente para as pessoas, para mim é a mesma coisa…
Eu chego, subo a mota, pulo, cozinho, faço isto, entrevista-me a senhora, entrevista-me o senhor, vamos embora e chego a um ponto em que eu já não consigo fazer, não me dá prazer, faça por dinheiro ou sozinho, não é suficiente!
6) Fora da sua vida, digamos que, mediática, como costuma ser o seu dia-a-dia? Quais são os seus hobbys?
Chef Chakall: Faço imensas coisas, só que não só “coisas”, são todas trabalho, o meu próprio trabalho é um hobby: eu viajo permanentemente, já vivi em países diferentes, culturas diferentes; já cheguei anteontem da China e vou-me embora depois de amanhã para São Tomé e Príncipe; volto, estou uma semana, vou para a Alemanha; num lugar estou a fazer um Bar, noutro um Restaurante, noutro um Programa de Televisão… viajar: o meu hobby é viajar, pagam-me para viajar, que é espetacular…
Quando eu não gosto, é como a minha vida, são as minhas folhas, e eu sou o tronco: caiem sozinhas, eu não consigo fingir, a minha própria natureza faz alguma coisa de que eu não gosto e desapareço, mesmo que eu não queira desaparecer; às vezes acontece-me que eu tenho contratos ótimos, mas eu por dentro já estou “seco”, e como estou seco, acabaram as energias e a seiva que chega às folhas e, portanto, do outro lado, a pessoa percebe, de alguma maneira, dizendo “bom, acho que o ciclo fechou”, e eu digo, “fechou o ciclo, estamos felizes, acabou”, é automático…
E quando eu estou com muita energia, consigo fazer imensas coisas: e faço, graças a Deus, bato na madeira, quero isso, foco isso… foco e de alguma forma as energias fazem com que eu consiga isso, não sei como também!
 
7) E quais são os seus maiores desejos para este ano de 2018? Mais algum projeto em mente?
Chef Chakall: Há muitas coisas, quero fazer coisas novas, nós temos projetos aqui novos (…)
Um programa de televisão na Alemanha: o programa mais popular na televisão alemã, que começa agora em março…
Um restaurante novo em São Tomé e Príncipe: estando agora já oficialmente a começar o projeto…
O bar da China, que foi onde tive agora e fiz o menu de comida portuguesa lá, muito engraçado: a proposta da Superbookera fazer um bar com coisas que não tinham nada a ver, nem com cultura portuguesa, nem com cultura chinesa, e eu disse “se nós vamos levar uma cerveja portuguesa, nós vamos adotar os produtos de Portugal na cultura chinesa”, e fiz o picapau, ensinei a fazer os croquetes (…) rissóis, chouriço, pastéis de nata…  a ideia é que tenha mesmo produtos, coisas para petiscar com cerveja!
 8) No que diz respeito a Portugal, o que tem a dizer sobre este país que o acolheu? 
Chef Chakall: Só posso dizer coisas boas! (…)
Antes de vir para aqui, estava a ver a minha entrevista na CNN, que eu nunca tinha visto, e estava a ver agora, e fiquei contente, e estava com 2 portugueses a ver isto e ainda bem que falei em Portugal: eu estava em Miami, e estava a perguntar o entrevistador “e os fornecedores sempre roubam?”,  e eu disse, fiquei assim a pensar (a primeira vez que vi a entrevista, já nem me lembrava do que tinha respondido), e eu digo “Em Portugal não, em geral são honestos, noutro país não posso dizer o mesmo, mas em Portugal não tenho essa sensação, se estão a tentar roubar (…)”
Acho que as pessoas sabem viver, é fantástico, estão num bom momento agora e há uma energia positiva… acho que mudou um pouco a energia dos portugueses (…) durante décadas, essa “coisa” de tudo negativo, com muitos portugueses a triunfarem no exterior, percebeu-se que os próprios portugueses não são assim tão maus…
Há muitos maus, mas há muitos bons… eu acho que aconteceram muitas coisas no país em que as pessoas acreditam que realmente é possível triunfar, fazer coisas bem, ter sucesso, não só a nível local, há imenso sucesso a nível internacional… e eu acho que é a influência dos estrangeiros e muita multiculturalidade ajuda muito também a isso, à mudança de mentalidades das pessoas…
E podemos falar na restauração: Portugal está na Europa, há uns anos atrás não estava na Europa, estava completamente fora, era tudo muito semelhante… eu acho que o caráter do português é ótimo e acho que agora, nesta nova vaga de influências, acho que está muito bem, acho que tem para muitos anos…
Portugal tem muita vantagem sobre outro país, as pessoas não se apercebem, mas algum dia vão-se aperceber!
 
9) É capaz de definir a “cozinha portuguesa”? Qual é aquele prato tradicional com que mais se tenta identificar?
Chef Chakall: Seja qual for, portuguesa, espanhola, italiana, também tem a ver com o clima, o clima tem a ver com os produtos… e se uma cozinha é produto, como todas as cozinhas mediterrâneas (as cozinhas do norte não são cozinhas de produtos, são cozinhas de panela, não há produto então temos de disfarçar o produto), aqui a cozinha é produto: o peixe grelhado, acho que o que define melhor Portugal é o peixe grelhado, o melhor peixe do mundo… peixe não precisa nada, não precisa de manteiga, só precisa de um bocadinho de azeite por cima, grelhado ou assado… é uma cozinha simples (acho que todas as cozinhas são simples, na realidade)… para nós, se calhar a cozinha japonesa é complicada, mas para os japoneses é assim: tem a ver com os produtos e com a cultura… a cozinha de refogado à base de (toda a cozinha tem o refogado), aqui de alho e azeite, cebola, e depois o que quiser por cima…
E o prato mais típico, não é um produto local, como o bacalhau, mas tem a ver com a história, mas que somado com o clima, dá o resultado da cozinha tradicional: bacalhau, seja qual a sua forma, é o melhor para mim, o “bacalhau à lagareiro”, ou grelhado ou assado, com azeite e alho por cima, um bom produto… um bom bacalhau não precisa de mais nada, não precisa de natas, não precisa de broas, não precisa de absolutamente nada e depende da região…
No Algarve, é mais mariscos, “ameijoas à Bulhão Pato” são ótimas, e, no norte, o cabrito: era o que eu comeria!
 
10) E o que diria a alguém que, enfim, pretenda agora iniciar uma verdadeira carreira profissional na área da restauração e afins? Ou o que é que é preciso realmente ter ou fazer, para se conseguir ser um grande Chef de Cozinha, assim como o Chef Chakall?
Chef Chakall: É um negócio complicado, porque primeiro tem de se saber de cozinha, mas depois tem de se saber de economia, tem de se perceber de clientes: tem de se perceber de tudo, tem de se saber lavar pratos, tem de se saber ser humilde… tem de se saber fazer de tudo: não é passar por tudo, mas saber fazer tudo… porque se vais aprender com o teu próprio restaurante a fazer um restaurante, é a melhor forma de ficar fora, que é o clássico… se uma pessoa cozinha bem e monta um restaurante, é uma estupidez: são tantos fatores que entram no meio que influem ter um restaurante…
Uma coisa é ser um cozinheiro, pois ter um restaurante é um negócio completamente diferente… ser cozinheiro: a pessoa é se acha que tem talento e perseverança; a restauração é uma «maratona» todos os dias… todos os dias têm de ser iguais, todos os dias tem de sair bem, e não é “hoje lavei o chão, lavei ontem, lavei anteontem, não tenho que lavar hoje” (…) cada dia tem que se fazer tudo, e não é “ontem fiz isso, hoje não faço”: aí é quando começa…
Depois depende do tamanho do restaurante, depende muito das pessoas: quanto maior é o espaço, mais fatores de risco… o maior fator de risco de insucesso: uma pessoa desde que falha… imagina uma carreira de carros: um motor tem 10 cilindros, se 1 não funciona, já está a funcionar com 9, funciona na mesma, vai, (…) 8, 7, 6, 5, funciona até com 2, agora «como funciona» é que é o ponto!
 
11) Para terminar, importa-se de sugerir alguma receita a todos os leitores deste blogue?
Chef Chakall: Estamos no inverno, agora, ok… vou-te dar uma simples: queijo Camembert, ou Brie, Président preferencialmente; fazer buracos, pôr croutons por dentro; depois, em separado, picas bacon, salteias, colocas também dentro, assim; na própria caixa do queijo, um pouco de mel, e metes no forno 6 minutos… depois comes: uma entrada espetacular, chega para 1 ou 2 pessoas!
Resumindo e concluindo, Chef Chakall é, sem dúvida, alguém bastante inspirador, marcado sobretudo pela sua história de vida demasiadamente eclética, dando origem à sua própria versatilidade e honestidade na sua maneira de ser e de estar!
Façamos da nossa vida o que gostaríamos que ela fosse e surpreendamo-nos, buscando aquela verdadeira autenticidade nas pequenas coisas, em vez de estarmos constantemente a movimentar-nos em círculos cada vez maiores, até àquele momento em que nos sentamos exaustos, sem mais alento para continuar e/ou alterar o nosso estado de espírito.
Pensem bem nisto, porque: nós somos o que comemos e… até ao próximo texto!

sexta-feira, 16 de março de 2018

A primavera está quase a chegar!

Já nos encontramos quase a concluir o primeiro trimestre deste ano, por isso que tal questionarmo-nos acerca das prometidas “resoluções de ano novo“?

Por outro lado, caminhamos a passos largos para o início de mais uma estação do ano: a primavera!
E com ela, existirão porventura certos ingredientes que deveremos incorporar mais do que outros na nossa alimentação diária, nomeadamente nos meses que ainda faltam até ao verão!

Logo, também já se falam, por aí, de novas tendências ao nível da alimentação ao longo de todo este ano, tendo eu tomado a iniciativa de selecionar, caros leitores deste blogue, algumas receitas e/ou alguns artigos por mim já publicados anteriormente, mas a ver com os tópicos enunciados abaixo.

  • Sabores mais florais
  • Pós são também sinónimo de suplementos proteicos
  • Dizer sim aos cogumelos
  • Uma viagem até ao Médio oriente
  • Transparência alimentar
  • Preferência pelos alimentos crocantes

Barritas de Cereais Caseiras

  • Dizer não ao desperdício

Tarte de Perú, Cogumelos e Chouriço

E o que dizer acerca dos intitulados “alimentos da época“?

Frutas da época:

A primavera é geralmente a melhor época do ano para comer fruta fresca, como cerejas, pêssegos, damascos ou ameixas. As frutas de verão por excelência são o melão e a melancia, dois alimentos muito hidratantes devido ao seu elevado teor de água e também têm poucas calorias.
Entre os frutos outono destacam-se especialmente o kiwi e a uva, enquanto as laranjas, tangerinas e limões são os protagonistas das frutas de inverno e outras variedades, como a maçã.

Legumes da época:

Enquanto que a maioria dos vegetais estão disponíveis durante todo o ano (como a batata, alho, cebola ou cenouras), outros são mais específicos de cada estação.
O verão é a pior época do ano para encontrar vegetais frescos e de qualidade no mercado, pois a maioria requer temperaturas mais baixas para amadurecer. Entre os vegetais de outono destacam-se a beringela e as hortaliças.
A estação mais fria é o melhor momento para consumir vegetais. Brócolos, alcachofra ou cardos estão entre os três principais legumes de Inverno, enquanto espargos, alho-porro e pimentos são considerados principalmente vegetais de primavera.


Já agora convido-o a experimentar abaixo, a Calculadora Diária de Calorias, para ficar a conhecer melhor qual deverá ser o seu consumo diário de calorias, de forma a ser mais fácil para si melhorar seu estilo de vida durante o resto do ano!

segunda-feira, 12 de março de 2018

HAPPY BIRTHDAY: a Página do Facebook Cozinha Com Rosto faz hoje 4 anos!

Estando eu na posse de uma página de Facebook, intitulada de MR Kitchen desde o dia 12 de março de 2014, com o slogan “Onde cozinhar é uma delícia!”, cujo objetivo principal era o de, essencialmente, partilhar a confeção de receitas culinárias, incentivando outros a fazerem o mesmo, a partir do dia 6 de janeiro de 2017 fiquei tentada a desenvolver um projeto maior, o Blogue Cozinha Com Rosto, com o slogan “Nós somos o que comemos!”, já dizia Hipócrates há mais de 2500 anos, necessariamente ligado a outras redes sociais, tais como Youtube, Google+, Instangram, Pinterest ou Twitter.
 
Na verdade, durante estes últimos 4 anos, tenho passado muitas e muitas horas ao computador, mas também na rua, a ler, a investigar, a entrevistar, a experimentar, a fotografar, a filmar… para além de ter tido a oportunidade de frequentar vários tipos de formações, aguçando ainda mais o meu desejo de partilhar com os outros todo um conjunto de saberes, sabores e sensações, desejando que me acompanhem juntos neste meu percurso, sobretudo de partilha e união entre todos, rumo a um mundo cada vez melhor e mais salutar!
E se no passado dia 6 de janeiro de 2018 festejara, relativamente a este Blogue, o seu primeiro ano de atividade, hoje, dia 12 de março de 2018, festejam-se 4 anos de atividade relativamente à minha página do Facebook entretanto designada também de Cozinha Com Rosto!
Parabéns!
Desta forma, tenho todo o gosto em presentear-vos com a receita abaixo, que todos cá em casa provaram e aprovaram, portanto… bom apetite!
 
Já agora, porque não fazerem parte do meu grupo de Subscritores deste bolgue?
Para esse mesmo efeito, basta aceder ao link aqui e… até já!
RECEITA NA CATEGORIA DE SOBREMESA: Bolo de Banana com Recheio de Leite Condensado, 
Cobertura de Chantilly e Calda de Caramelo com Leite 

Ingredientes:

Bolo:
  • 1 chávena de AÇÚCAR
  • 10 BANANAS maduras
  • 150 gr de MANTEIGA SEM SAL em temperatura ambiente
  • 1,5 chávenas de AÇÚCAR
  • 1 colher de sopa de AROMA DE BAUNILHA
  • 1 chávena de IOGURTE NATURAL
  • Sumo de 1/2 LIMÃO
  • 3 colheres de sopa de ÓLEO
  • 3 OVOS
  • 1 chávena de BANANA ESMAGADA madura
  • 2,5 chávenas de FARINHA DE TRIGO
  • 2 colheres de chá de BICARBONATO DE SÓDIO
  • 2 colheres de chá de FERMENTO EM PÓ
  • 1/2 colher de chá de SAL
Recheio:
  • 1 lata de LEITE CONDENSADO COZIDO
  • Sumo de ½ LIMÃO
Cobertura:
  • 1 chávena de NATAS
  • 2 colheres de chá de AÇÚCAR
Calda:
  • 1 chávena de AÇÚCAR
  • 1 chávena de LEITE
  • 1 colher de sopa de MANTEIGA
 
Confeção:
 
Forma:
  1. Caramelizar as formas do bolo com 21 cm de diâmetro.
  2. Derreter o açúcar numa frigideira em lume médio/baixo até caramelizar totalmente.
  3. DICA: Quanto mais escuro o caramelo ficar, mais amargo ele se tornará.
  4. Dividir o caramelo nas duas formas, até que ambas estejam com o fundo completamente coberto.
  5. DICA 2: Se o caramelo solidificar antes de se completar essa tarefa, aquecer um pouco o fundo da forma.
  6. Cortar as bananas com aproximadamente um dedo de espessura e distribuir as rodelas sobre o caramelo das formas; reservar.
Bolo:
  1. Na batedeira, bater a manteiga com o açúcar e o aroma de baunilha, até obter um creme fofo e areado.
  2. Acrescentar o iogurte natural, o sumo  de limão e o óleo; bater novamente.
  3. Adicionar os ovos, um a um, batendo bem a cada adição.
  4. Peneirar os secos sobre a massa: a farinha, o bicarbonato de sódio, o fermento e o sal.
  5. Bater apenas até incorporar e, em seguida, adicionar a banana esmagada.
  6. Misturar mais um pouco e dividir a massa nas duas formas previamente preparadas.
  7. Assar os bolos em forno pré-aquecido a 180˚C  por aproximadamente 1h ou até que o palito inserido no centro de cada um saia limpo.
  8. Desenformar os bolos ainda mornos sobre uma grade (com uma forma em baixo para  recolher o caramelo que escorrer) e deixar arrefecer.
Recheio:
  1. Num recipiente misturar o leite condensado e o limão sem parar. (O limão fará que o leite condensado engrosse!)
  2. DICA: Não parar de mexer preferencialmente com um fouet (vara de arames)
Cobertura:
  1. Preparar a cobertura somente depois do bolo estar montado e bem frio.
  2. Bater as natas com o açúcar até atingir o ponto de chantilly.
Calda:
  1. Numa jarra de vidro, colocar o leite e levar para aquecer no micro-ondas cerca de 1 min – o leite deve estar quente ao ser misturado com o caramelo; reservar.
  2. Numa panela média, colocar o açúcar e levar ao lume médio; deixar derreter até formar um caramelo dourado e liso – mexer de vez em quando com uma espátula para não queimar.
  3. Desligar o gás e adicionar a manteiga; mexer bem com a espátula até derreter; acrescentar o leite quente em fio, mexendo com a espátula, até formar uma calda – cuidado: o leite pode borbulhar; se o caramelo solidificar, voltar a levar frigideira ao lume baixo e mexer até dissolver.
  4. Transferir a calda para um molheira e levar ao frigorífico para arrefecer um pouco.
Montagem:
  1. Com os bolos completamente frios, começar a montagem.
  2. Posicionar o primeiro bolo com as bananas viradas para cima.
  3. Espalhar o recheio de leite condensado, alisando bem.
  4. Em seguida, colocar o segundo bolo por cima disso tudo – desta vez, as bananas têm que estar viradas para  baixo.
  5. Levar o bolo ao frigorífico pelo menos durante 4h.
  6. Depois cobrir completamente o bolo com o chantilly.
  7. Com uma espátula, retirar todo  o excesso de chantilly das laterais para formar o efeito “semi naked cake”.
  8. Na hora de servir, despejar a calda de caramelo com leite sobre o bolo.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Ainda sobre o Dia Internacional da Mulher: quem cozinha melhor, o homem ou a mulher?

O Dia Internacional da Mulher é celebrado a 8 de março, tendo sido uma ideia criada no final do século XIX e início do século XX nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas femininas por melhores condições de vida e trabalho, e pelo direito de voto. 
Em 26 de agosto de 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhaga, a líder socialista alemã Clara Zetkin propôs a instituição de uma celebração anual das lutas pelos direitos das mulheres trabalhadoras.

As celebrações do Dia Internacional da Mulher ocorreram a partir de 1909 em diferentes dias de fevereiro e março, a depender do país. A primeira celebração deu-se a 28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, seguida de manifestações e marchas em outros países europeus nos anos seguintes, usualmente durante a semana de comemorações da Comuna de Paris, no final de março. As manifestações uniam o movimento socialista, que lutava por igualdade de direitos económicos, sociais e trabalhistas, ao movimento sufragista, que lutava por igualdade de direitos políticos.

Copenhaga, 1910. VIII Congresso da Internacional Socialista: na frente, Alexandra Kollontai e Clara Zetkin.

No início de 1917, na Rússia, ocorreram manifestações de trabalhadoras por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial. Os protestos foram brutalmente reprimidos, precipitando o início da Revolução de 1917. A data da principal manifestação, 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelo calendário juliano), foi instituída como Dia Internacional da Mulher pelo movimento internacional socialista.

Na década de 1970, o ano de 1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e o dia 8 de março foi adotado como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, tendo como objetivo lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, independente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, económicas ou políticas.

Pensando bem, na área profissional da cozinha, o homem é quase sempre visto como o “chef de cozinha” e a mulher como a “cozinheira”. 

Isto porque, nomeadamente devido a algumas questões culturais que ainda continuam a persistir, apesar de todo o progresso na sociedade atual, a mulher “cozinheira” parece que continua a estar mais relacionada às tarefas do dia a dia, enquanto que o homem considerado “chef” é aquela pessoa que revela mais sofisticação e personalidade, trabalhando mais em ocasiões especiais.  

Mas, na verdade, seja homem ou mulher, o “chef de cozinha” é alguém que gere toda uma equipa dentro da cozinha, criando o conceito da cozinha ao seu próprio estilo, através da criação de receitas.

O que é curioso é que, desde sempre, a cozinha fora associada mais às mulheres do que aos homens; contudo, ainda existe muita discriminação no que diz respeito às mulheres no mundo laboral de uma cozinha, especialmente ao nível da “alta cozinha” em que os homens dominam!

Por exemplo, de acordo com uma notícia datada de 24 de Fevereiro de 2018, nPÚBLICO publicasse que em França, das 57 novas estrelas Michelin atribuídas em 2018, apenas duas foram para chefs mulheres; em Portugal, nenhuma chef foi premiada.

Ou seja, num mundo onde aparenta ser só de homens, há que servir inspiração a outras mulheres, levando a própria sociedade a pensar que a cozinha profissional também pode ser afinal um mundo de mulheres, onde elas sabem tão bem ou melhor liderar e criar do que os homens, não concordam?

Termino então, este pequeno texto, com algumas sugestões minhas para vos ajudar a inspirar na cozinha, caras leitoras deste blogue, e assim alegrar mais as horas que muitas vezes são mais rotineiras ou cansativas, seja para o vosso marido ou namorado, filho ou neto, podendo e devendo convidá-los sempre para vos ajudarem a confecionar aquela receita mais apetecível para todos aí em casa, bem como a tratarem de arrumar depois todos juntos a cozinha e a gozarem também a seguir todos juntos o tempo livre que virá a seguir, não será mais justo?
Cozinha - O Coração da Casa - www.wook.pt

Dia a Dia Mafalda - www.wook.pt
MasterChef - www.wook.pt
Cozinhar é um modo de amar os outros.
Mia Couto 

segunda-feira, 5 de março de 2018

O Refeitório do Senhor Abel e o Heterónimo BAAR!

No passado mês de janeiro, fora convidada a conhecer, por dentro, o Heterónimo BAAR, assim como o Refeitório do Senhor Abel, ambos situados na zona de Marvila, em Lisboa.
Era apenas mais uma noite fria de inverno, mas aquela iria ser diferente, pois iria ter a oportunidade única de também cumprimentar o próprio Chef Chakall, querendo desde já anunciar que dentro em breve publicarei aqui, no meu Blog Cozinha Com Rosto, algo exclusivo, ou seja, uma entrevista simplesmente feita a alguém tremendamente imparável e que fala da sua paixão pela vida e pela cozinha, e do que o faz afinal ter asas e voar pelos quatro cantos do mundo, dando ao mesmo tempo muito valor ao que é verdadeiramente tradicional!

Ainda do lado de fora, a fachada parecera-me quase inalterada e bastante imponente sobre a Praça David Leandro da Silva, no Poço do Bispo, abarcando com as antigas portas de ferro vermelhas e janelas envidraçadas, a ver com a antiga “Catedral do Vinho”, esta inaugurada em 1910, já que este edifício estaria situado na proximidade dos cais onde aportavam os barcos que transportavam vinhos da região do Ribatejo.

Lembro-me de ter entrado, em primeiro lugar, para a zona do Heterónimo BAAR, e de ter ficado, desde logo, bastante surpresa, quanto ao tipo de decoração presente no espaço, por ser autenticamente marcado pelos vários heterónimos de Fernando Pessoa, ou seja, o mais universal poeta português!

Na realidade, na Sociedade Comercial Abel Pereira Da Fonseca, acabara de abrir mais dois espaços, tendo algo surpreendente em comum: uma «árvore» que timidamente cresce no meio da sala do restaurante, para depois, os seus «ramos», darem origem a cada vez mais «folhas», que logo a seguir dão lugar a «livros», por meio de uma zona mais ou menos restrita, a biblioteca, numa forma de transição entre a própria fição e a realidade.

Já dentro da zona do bar propriamente dito, pode-se, por fim, brindar à «poesia» autenticamente inscrita nos candeeiros pendurados no teto, numa tentativa de nos ofuscar com a «luz divina», depois de se conseguir passar pela intitulada «porta secreta» e provar-se o melhor coktail de 2017 produzido por Sandro Pimenta, um dos melhores bartenders nacionais e vencedor da primeira Bacardi Legacy Portugal: o cocktail Flight 1862!

Também fiquei a saber que o bar fora pensado para deter um horário mais alargado do que os comuns, no sentido de ajudar todo um conjunto de pessoas a «combater» aquela parte do dia em que sai do trabalho e já só quer ir para casa, mas sem stress e na companhia dos amigos, porque já não se irá irritar depois no caminho de regresso, pelo menos como até então!
 
Desta forma, as bebidas expostas são das mais variadas possíveis, existindo, também, uma boa coleção de cervejas e de vinhos, convidando todos a irem beber um copo, numa zona de Lisboa definitivamente diferente do Cais do Sodré ou do Bairro Alto, logo se calhar a estarem ainda um pouco mais à vontade!
Enumerem-se, portanto, algumas das sugestões contidas na própria Carta:
  • Águas e Refrigerantes
  • Sumos Naturais
  • Cervejas
  • Cafetaria
  • Cocktails
  • Driver Cocktails
  • Sangrias
  • Gin
  • Vodka
  • Rum
  • Tequila & Mezcal
  • Whisky & Whiskey
  • Aguardentes & Cognac
  • Licores e Licorosos
Tal como podem imaginar, eu ficara mesmo bastante satisfeita por conhecer todo aquele espaço abraçado de histórias dedicadas tanto a miúdos ou a graúdos, logo preparem-se para estar sempre a postos de tirar mais e mais fotografias, e sob tão diferentes ângulos e perspetivas!
No que diz respeito ao Refeitório do Senhor Abel, à disposição de todos aqueles que o visitem, de uma maneira muito geral, existe o seguinte, no respetivo Cardápio, tratando-se sobretudo de “Pizzas Artesanais & Raw Food”: 
  • Entradas Quentes da Pizzeria, como “Focaccia al Rosmarinho” (4,5€) ou “Focaccia Francucci” (7,95€)
  • Entradas de Mozzarellas Frescas, como a “Burrata Caprese” (8,5€) ou a “Búfala com Porcini” (11,50€)
  • Couvert, como a “Bruscheta All´aglio” (2,50€) ou a “Bruscheta do Chef Chakall” (6,95€)
  • Pratos Principais, como as “Saladas” ou os “Carpaccios”
  • Pizza Di Qualitá (massa amadurecida 36-48 horas), como a “Margherita” (7,50€) ou a “Mastro Roberto” (14,95€)
  • Pizzas com Massas Especiais(+3€), como a “7 Cereais”, “Preta de Carvão Vegetal”, “Amarela com Gengibre” e “Com Cânhamo” (tudo sob a responsabilidade do Roberto Mezzapelle, o campeão europeu de pizza acrobática de 2016, tendo nascido em Sicília, no seio de uma família de cozinheiros, e começado a dedicar-se à restauração com apenas 14 anos, em que mais tarde fora convidado por Chakall para integrar a sua equipa, para além do facto de ter formado, juntamente com os seus colegas pizzeiros, uma associação em Mazara del Vallo, sua terra natal – a Acrobatic Pizza World –, cujo objetivo é a especialização em impasti – massa – mais saudável)
  • Calzone, como o “Calzone do Senhor Abel” (12,50€)
  • Pizzas Brancas (massa amadurecida 36-48 horas), como a “Alla Burrata” (12,95€) ou a “Tirolese” (13,90€)
  • 100% Glúten Free Pizzas (com Farinha de milho, arroz e trigo sarraceno), desde que seja feita com reserva antecipada de um dia
  • Sobremesas, como a “Pizza com Nutela” (7,50€)
E quero-vos também adiantar que tudo quanto me deram a provar naquela noite, me soubera muito bem e não me pesara nada o estômago, não contendo nenhum daqueles ingredientes esquisitos ou confecionados como que à pressa!
Note-se ainda que, por este lugar verdadeiramente encantador e aprazível, preocupam-se com a saúde de quem o procura, pois tal como se encontra igualmente descrito no tal cardápio, “Mastro Roberto, o nosso Pizza Chef, propõe as Pizzas com bases de massas especialmente saudáveis”, sendo ainda todos os produtos envolvidos oriundos de facto de Itália!
Resumindo e concluindo, pizzas artesanais sicilianas, raw food e cocktails são as novas propostas contidas nos antigos armazéns Abel Pereira da Fonseca, sob a forma de dois espaços que se complementam, por sua vez situados num dos bairros “sensação” do momento, da zona oriental da cidade de Lisboa: o Refeitório do Senhor Abel e o Heterónimo BAAR
 
E Chakall e Miguel Tojal são então os seus criadores, naturalmente bem acompanhados por Roberto Mezzapelle, da parte da Pizzaria.
Segundo Miguel Tojal, pretende-se que estes dois novos espaços “sejam uma experiência gastronómica completa, que passe não só pelas pizzas e demais propostas gastronómicas, mas também pelos cocktails, pela música e, claro, pelo ambiente que se vive quer no Refeitório do Senhor Abel, quer no Heterónimo BAAR”; segundo Chakall, pretende-se que sejam “espaços despretensiosos, acolhedores e animados”, estando bem patente a própria figura de Fernando Pessoa, em que as iniciais de BAAR se devem aos Heterónimos Bernardo Soares, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis.
“Fernando Pessoa em flagrante de litro”: dedicatória na fotografia que ofereceu a Ophélia Queiroz em 1929.