terça-feira, 26 de março de 2019

Sopa à moda da minha avó

Em continuação do texto anteriormente publicado aqui, achei por bem partilhar convosco a receita vencedora da  7ª edição do Concurso “A Mesa dos Portugueses” da autoria de Daniela Batalha!

RECEITA PERTENCENTE À CATEGORIA DE ENTRADAS E SOPAS: “Sopa à moda da minha avó” por Daniela Batalha

Ingredientes:

Sopa:
• 250 gr de feijão vermelho seco
• 1/2 chuchu
• 4 batatas
• 1/2 courgette pequena
• 2 cenouras
• 200 gr de abóbora menina
• 1 cebola pequena
• 1 alho francês
• 150 ml de água
• 1 punhado de massa cotovelinhos
• 6 folhas de couva alta/galega
• 1/3 de chouriça
• 2kg de carne com osso
• Azeite e sal q.b.

Para o pão:
• 2kg de farinha sem fermento
• 2 colheres de sopa de banha
• 3 colheres de sopa de aguardente
• 2 ovos
• cerca de 750 ml de água
• 100 gr de açúcar
• 42 gr de fermento de padeiro

Preparação:

1) Deixamos o feijão a demolhar em água durante a noite. Depois de demolhado, colocamos o feijão dentro de uma panela com água, sal, a chouriça e o osso com carne, que tanto gosto dá. O tempo de cozedura da carne é mais ou menos o do feijão, por isso, quando a carne estiver tenra, estará na hora de desligar o fogo. Retiramos as carnes e um pouco de feijão para um prato e colocamos na panela todos os legumes. Depois de cozidos, trituramos até obtermos uma sopa bem homogénea. Juntamos a couve cortada em juliana (bem grosseira, cortada com a faca), o punhado de massa, as carnes desfiadas e o feijão que tínhamos reservado. Deixamos cozer e por fim, rectificamos o sal e juntamos um fio de azeite.

2) Para fazer o pão, é só juntar num alguidar todos os ingredientes (farinha, banha, aguardente, ovos, açúcar, fermento e água) e amassar bem. A massa tem que ficar meia húmida. Tapamos com um pano e deixamos a levedar, cerca de 1 a 2 horas será suficiente, mas tudo depende da temperatura e do ambiente. Enfarinhamos uma superfície e sovamos mais um pouco a massa. Fazemos pequenas fogaças e levamos ao forno a 210º, até o pão estar dourado. O tempo que está no forno varia consoante o tamanho da fogaça que fizermos.

3) Para empratar, cortamos o topo do pão e tiramos o seu miolo. Colocamos sopa na carcaça, uma folha de coentros e disfrutamos desta bela sopa que me lembra outros belos tempos.

(fonte: https://www.jb.pt)

segunda-feira, 18 de março de 2019

Daniela Batalha em entrevista à Cozinha Com Rosto!

Daniela Batalha, de 26 anos de idade e natural de Águeda, foi a grande vencedora, no passado dia 18 de dezembro de 2018, da 7.ª edição do concurso nacional de gastronomia “A Mesa dos Portugueses”, com a “Sopa à Moda da Minha Avó”!

E tal como eu já tive a oportunidade de comprovar, aquando das minhas participações nas edições de 2015 e 2018, o grande objetivo desse mesmo concurso tem sido sempre o de estimular a confeção de pratos com produtos de origem portuguesa, ou seja, o de contribuir para a valorização do nosso próprio património gastronómico, o que eu aplaudo!

Sendo assim, eu tomei a iniciativa de entrevistar Daniela Batalha, para, enfim, a ficarmos a conhecer um pouco melhor e saber, afinal, qual é que irá ser o seu projeto de vida, a partir de agora, agradecendo, desde já, o facto de ter aceite esta minha proposta:

1. Para iniciar esta nossa conversa, gostaria de começar por lhe colocar a seguinte questão: como é que foi então ganhar o grande prémio da 7.ª edição do concurso nacional de gastronomia “A Mesa dos Portugueses” e o que é que sentiu exatamente no momento em que o seu nome foi revelado como sendo a grande Vencedora?

Daniela Batalha: Já me perguntarem isso várias vezes, mas continuo a dizer o mesmo: quando me fazem essa pergunta, eu ainda sinto as borboletas na barriga e acho que vou sentir sempre, porque foi incrível, foi indiscritível mesmo, muitas lágrimas… houve alguns vídeos, fotografias… foi muita emoção junta!

Tinha lá a minha avó e nós passámos por muito coisa juntas, a nível familiar, nestes últimos dois anos: perdi a minha bisavó que faleceu em 2017…

Portanto, o que eu quero fazer na minha vida é: fazer coisas que sejam um tributo aos que eu amo, porque eu acho que elas merecem isso mesmo, que o mais importante na minha vida é e vai ser sempre a família, venha o que vier, mesmo que esteja tudo muito bem; se me acontecer alguma coisa, é para lá que eu vou, porque eles apoiam-me incondicionalmente!

E como no ano passado fiquei em segundo, este ano estava na incógnita, se ía ou não ía ganhar, tinha receio de não conseguir fazer igual ou melhor, porque sou muito perfecionista…

E quando soube que tinha ganho, aquela carga de tudo o que eu tinha andado a acumular, foi incrível mesmo e não conseguia acreditar… e ainda não consigo!

2. Já agora, qual é que foi o seu grande segredo utilizado na confeção da intitulada “Sopa à Moda da Minha Avó”? E será que nos pode revelar mais ou menos a receita?

Na cozinha não há segredos…

Eu acho que quando vendemos certos produtos, aí sim, às vezes não é a altura certa de os revelar, porque há alturas certas para divulgar certos pormenores, portanto até aí tudo bem, mas eu sou adepta de realmente partilharmos, porque se as pessoas não partilharem, as coisas caiem em esquecimento, portanto não faz sentido guardarmos as coisas fechadas…

E a sopa não tem segredos, até porque a receita está lá, se quiseres fazer a sopa, ela se calhar vai sair diferente, e se for outra pessoa a fazer, se calhar vai ter um sabor novamente diferente, porque eu acho que a emoção que tu colocas nas coisas associada às memórias é o que se transmite depois muito no prato final!

A cozinha, para mim, é isso mesmo, por isso é que eu a escolhi: eu consigo passar a emoção daquilo que eu sinto e tu consegues ver de facto a emoção existente nas pessoas, por isso é que foi muito importante ganhar, também devido ao feedback das pessoas, porque quando vêm a sopa, principalmente lá na minha zona, muita gente envia-me mensagens do género “consegues ter memórias muito antigas à custa da sopa”, e isso, para mim, é incrível!

E pronto, não tem segredos, é uma sopa, é um caldo: fazes um caldo com água, colcas a água a ferver, um bocadinho de azeite só, carne com feijão (este é um feijão que eu não sei muito bem qual é, mas ando a tentar descobrir, porque a minha avó diz que já está há muitos anos na nossa família e é um feijão vermelho, mas muito pequeno, tendo-o para semente há muitos anos, e não sabe dizer qual é, não o encontra à venda e eu também não… eles eram agricultores, a minha bisavó também… lá está, às vezes vão ficando na terra, depois começam a haver cruzamentos…)

Portanto, é uma sopa simples: colocas um bocado de feijão, colocas os legumes (podem ser diferentes daqueles meus, podem ser da época), fazes um pão e colocas a carne por cima e está feito e comes com a família!

 

(fotografia retirada de https://www.jb.pt/)

3. Mas tendo em conta algumas pesquisas que eu fiz pela Internet, a Daniela já tinha participado noutras edições do mesmo concurso, certo? E quais é que foram as receitas escolhidas nesses anteriores concursos e porquê?

Daniela Batalha: Já tinha concorrido ao mesmo concurso no ano passado e este ano participei nas cinco categorias também, porque eu vou com tudo ou não vou com nada, gosto de ter as probabilidades a meu favor, porque eu acho que se temos essa possibilidade de concorrer, porque não, não tenho nada a perder!

No ano passado: fiquei bem colocada com as Esperanças, que ganhou a categoria de doces; levei também Sopa de Peixe, Cabidela de Leitão da nossa zona, Massada de Peixe…

Este ano: levei Torresmos e Peixe do Rio, que também é da minha zona; ainda tentei fazer uma coisa diferente, umas Migas com Ovas, e voltei a pegar na Cabidela, porque eles tinham achado a ideia boa, mas em termos apelativos não, logo fiz um Arroz com a Cabidela dentro do tachinho, levei então a Sopa e ainda criei umas Tarteletes com uma massa quebrada de iogurte e umas papas de abóbora, que também é daqueles doces que se comem sempre, um Curd de Limão e um Gel de Frutos Vermelhos…

E de bacalhau, fiz uns Pasteis de Massa Tenra de Bacalhau com Arroz de Tomate, pois é uma coisa que se faz na minha casa sempre…

Nunca pensei que fosse a sopa a passar, sou sincera, é um símbolo de Portugal!

Depois, quando eu soube, eu realmente comecei a pensar porque é que tinha passado, e o que eu achei foi que realmente é um prato bastante completo: tens a carne, é um prato rico, e não é por ser meu, porque outra pessoa podia ter tido a mesma ideia… mas é muito completo e era o que os meu avós davam aos pobres, portanto fez sentido para mim!

4. E de momento, o que tenciona fazer ou continuar a fazer na sua vida? Por acaso tem recebido algumas propostas de trabalho ou então a ver com formação?

Daniela Batalha: É para continuar na cozinha, é isto que eu quero e, portanto, a cozinha vai ser a minha vida, a partir de agora!

Eu também gosto muito de estar na parte da comunicação: gosto muito de falar com as pessoas, de incentivar as pessoas… estou no Facebook, mas um bocadinho de forma inexperiente ainda, mas é isso que eu quero fazer e incentivar as pessoas que toda a gente consegue, desde que queiram, porque toda a gente consegue e temos de trabalhar muito para as coisas acontecerem!

Vou ficar por uns tempos em Lisboa, vou tentando manter o meu projeto lá em cima, se calhar agora de outra forma, mas continuo a dar os ShowCookings, pois já tenho um para julho, lá na minha zona.

Estou ainda a dar formação numa escola do Porto, na Caketerie, e espero também conseguir conciliar isso… aquilo que eu sei, gosto de passar para as pessoas, tal como eu gosto que façam comigo!

E pronto, também já falei do projeto do livro: gostava de escrever um livro, ou seja, de compilar, mais uma vez, receitas e memórias… e espero que alguém me apoie, vamos ver!

E basicamente é isso: há um projeto na televisão também, uma rubrica, e vamos tentando conciliar tudo e eu estou aberta a novas possibilidades, a novos projetos…

Estou no início, portanto vamos aproveitando o que houver e tentando analisar as possibilidades!

5. Uma curiosidade: como é que nasceu o seu gosto pela cozinha e qual o seu maior ídolo?

Daniela Batalha: Eu não sigo ninguém em especial, porque quando me surgiu o gosto pela cozinha, foi por terapia, foi por instinto natural, não foi nada forçado…

“Ai porque agora é moda e vou virar cozinheira”, não, foi uma coisa que foi natural, no início a justificação era a minha mãe e a minha avó, por isso fui sempre pegando em coisas que elas faziam… e dar o cunho pessoal é mais importante do que todo o resto das cozinhas!

Gosto muito da Filipa Gomes, por exemplo, ela não tem formação na área, mas identifico-me muito com ela, porque eu sou um bocado como ela: ela tem paixão pela cozinha e não tem tabus… não gosta de conceitos definidos e eu odeio conceitos definidos, não sou “ovelha de seguir rebanhos”, gosto de ser eu…

Gosto muito do Jamie Oliver, pelo à vontade que tem também pela cozinha descontraída: a cozinha deve ser descontraída, descomplicada, descomplexada, e não devemos ter medo de arriscar nem de combinar certas coisas, pensando que depois não vão fazer sentido…

Cá em Portugal, também gosto muito do trabalho do Gonçalo Costa, por exemplo, ali no restaurante Tágide, eu não o conhecia muito bem, mas agora gosto do trabalho dele, porque também vai muito às raízes!

Gosto muito do trabalho do Vítor Adão, identifico-me bastante com ele: também pega muito no que é da terra dele e tem dado a conhecer a sua terra de uma maneira reinventada…

Gosto igualmente do José Avillez e do seu tipo de cozinha…

Gosto de Ann Kristin, porque gosto da parte estética: a cozinha tem de cheirar bem, tem de saber bem, tem de ser bonita e apelativa, tem de ser um conjunto dos 5 sentidos!

6. Costumamos ouvir dizer que as mulheres do Norte têm mais “pêlo na venta”: será que é verdade e qual é que é a característica mais marcante em si?

Daniela Batalha: Não sou considerada “mulher do norte”, mas sim, acho que tenho “pêlo na venta”: eu não tenho problemas de dizer o que tem de ser dito, portanto sou muito frontal, mas não gosto de ser assim de vez em quando, eu sou mesmo assim…

Portanto, eu sou muito transparente: quando tenho de rir, riu, se tiver de chorar, choro, não consigo disfarçar; às vezes até sou criticada por isso, mas eu sou assim…

Então sou muito honesta e sou mesmo muito franca: não gosto de hipocrisia, e isso não tem de ser do norte ou do sul, eu sou mesmo assim e esta foi a minha educação!

7. No que diz respeito à sua cidade natal, o que é que para si não podemos deixar de visitar ou de saborear?

Daniela Batalha: Eu sou de Espinhel, que pertence ao concelho de Águeda.

Lá, para visitar, agora temos o mais recente projeto que surgiu em 2012, a Umbrella Sky…

Há um evento em julho, o AgitÁgueda, que é durante o mês inteiro; paralelamente nesse mês, quase todas as ruas de Águeda ficam decoradas com chapéus de várias cores e é muito bonito, porque temos espetáculos de rua e pintura: vêm artistas de outros países fazer pinturas em certos monumentos, paredes, bancos…

Depois em Pinhel, temos a pateira de Espinhel e a pateira de Fermentelos, que também é muito visitada!

E o que é que temos mais (?!) não há muito mais a visitar, é uma cidade pequena, porque não é como Lisboa, por exemplo, em que em cada esquina tens algo para visitar; mas também há restaurantes que valem a pena, onde tudo depende do tradicional: o cabrito, o peixe do rio, o leitão à Bairrada (este é um dos ex-libris), o Pastel de Águeda (foi este grande pastel que serviu de grande inspiração às Esperanças, que estão já registadas – é o meu bébé, o meu primeiro filho…), o bolo de Natal de Águeda…

8. Para terminar, sendo “nós somos o que comemos” o lema deste Blog Cozinha Com Rosto, qual é que é a sua opinião pessoal acerca da importância de se praticar ou não uma alimentação mais ou menos cuidada para se conseguir usufruir de uma vida saudável? Pratica algum tipo de dieta especial?

Daniela Batalha: Sim, claro que é importante: neste momento, a minha comida não é muito equilibrada, aliás, a minha alimentação não é de todo equilibrada, mas acho que toda a comida deve ser equilibrada… e tornou-se mais complicado quando eu comecei a cozinhar mais!

Depois de começar a cozinhar, o meu marido engordou muito, daí eu ter de fazer uma dieta para ele emagrecer e aí era só comida saudável; agora, lá em casa, à noite, na maior parte das vezes, não comemos hidratos, para tentar equilibrar os excessos, e comemos muito peixe grelhado, não exageramos assim tanto, eu depois estrago é com doces… mas sim, acho que deve haver um equilíbrio!

Acho que não deves comer é só comida saudável, falo por mim, pois a nível psicológico eu também preciso do exagero e acho que toda a gente precisa, tanto na alimentação como noutras coisas, não devemos privar-nos disso por obrigação, porque eu acho que não é saudável e interfere até muito a nível emocional e pessoal.

E neste momento não pratico nenhuma dieta em especial, porque eu como de tudo um pouco, e variar a alimentação, isso sim, é que é o ideal!

 

quinta-feira, 14 de março de 2019

Revista Digital Cozinha Com Rosto N.º 3 – março 2019

Ora então sejam muito bem vindos ao lançamento de mais um número da Revista Digital Mensal Cozinha Com Rosto: N.º3  – mês de março de 2019!

Porém, a mesma só se encontrará disponível, de momento, para quem subscrever a Newsletter deste Blog aqui a partir de… agora!

Mas todas as anteriores – Nº1 e N.º2 – já estão mesmo disponíveis para quem quiser através das imagens abaixo, bastando clicar em cada uma delas para fazer o respetivo download:

 

E voltando ao tema da Revista N.º3, mais uma vez tive o cuidado de só conter textos novos a ver com as seguintes categorias:

  • na cozinha
  • à conversa
  • viva melhor
  • as minhas recomendações
  • dicas e utilidades
  • considerações finais

Desta forma mostro-vos abaixo alguns exemplos de páginas:

Entretanto, também chamo à atenção para o seguinte convite expresso por mim numa dessas páginas:

«Desta vez, decidi partilhar convosco, duas receitas da autoria de duas caríssimas seguidoras do meu Blog Cozinha Com Rosto, sendo um  convite a que outros partilhem igualmente aqui receitas que transmitam boas e saudáveis energias, alinham? Para o envio das vossas  receitas escolhidas, por favor, o email é: cozinhacomrosto@gmail.com»

Ou seja, eu teria todo o gosto em continuar a partilhar textos de vossa autoria, sejam eles sobre as vossas receitas preferidas, a sugestão de um livro de culinária ou até contendo a recomendação de um certo restaurante: aceitam o desafio?

Para terminar, porque nós somos o que comemos, especialmente para quem ainda não é subscritor da Newsletter deste Blog, cliquem já aqui de forma a receberem:

  • a Revista Digital Mensal Cozinha Com Rosto
  • a atualização de novos textos aqui no Blog
  • um Ebook de Receitas Cozinha Com Rosto no seu Dia de Aniversário (ver a capa abaixo)

E até ao próximo texto, pedindo-vos para partilharem este texto, de forma a conseguirmos aumentar o número de subscritores em conjunto, porque juntos somos mais fortes, obrigada!

terça-feira, 12 de março de 2019

O Facebook Cozinha Com Rosto faz 5 anos!

Em primeiro lugar, sendo eu também formada a nível profissional na área da Matemática, desde muito cedo que os números prendem a minha atenção, achando muito interessante, o facto do Homem ter conseguido encontrar um certo significado para cada um deles, mediante a sociedade onde está inserido e aquilo em que acredita, de forma a saber guiar-se pelos caminhos que vai trilhando ao longo da vida.

Por exemplo, sendo o número cinco, aquele que está no meio do algarismo nove e também a soma dos primeiros números par e ímpar, o dois e o três, o 5 é, desde Pitágoras, considerado o número da união, da harmonia e do equilíbrio. Está associado ao homem, já que o seu corpo pode ser dividido em cinco partes e os seus cinco sentidos são utilizados para a perceção do mundo.

Santa Hildegarda considerava o número cinco como o número do homem que, dividido em cinco partes, ou cinco quadrados no comprimento e outros cinco na largura, se podiam inscrever num quadrado perfeito, facto que foi representado por Leonardo da Vinci.

Para Pitágoras, o cinco era a harmonia suprema que foi representada na arquitetura das catedrais do período gótico, com as estrelas de cinco pontas, as rosáceas de cinco pétalas e a cruz que também simboliza o número cinco, com as suas quatro retas por oposição a um centro.

 

Outras interpretações:

  • Na China, o número cinco simboliza o centro e o planeta Terra, o casamento de Yin e Yang, ou do Céu e da Terra, e também o número do coração humano.
  • Na Índia, o cinco é a reunião do número dois feminino e do número três masculino e sendo o número de Shiva, na sua manifestação de transformador, é também o número da criação da vida. O pentágono estrelado é também um dos Yantras ou símbolos de Shiva, que domina as cinco regiões da terra e que por vezes se manifesta com cinco rostos.
  • Na América Central pré-colombiana, o cinco era um número divino, que correspondia ao deus do milho e era representado por uma mão aberta.
  • Em África, a simbologia do cinco apresenta características diversas, já que representa o ser incompleto, a instabilidade, o caos, e é considerado, na generalidade, um número que traz consigo um mau augúrio.
  • Para o Islão, o cinco é, pelo contrário, um número de boa sorte, associado ao casamento, às cinco horas de oração, aos jejuns, à lei de vingança até à quinta geração ou ao esconjuro dos cinco dedos contra o mau olhado e à quinta-feira, que é um dia protegido.

Em resumo, os últimos 5 anos, relativamente à minha página do Facebook Cozinha Com Rosto, foram sinónimo de múltiplas partilhas, encontros, emoções, sabores e sensações!

Espero, contudo, continuar esta minha caminhada por muitos mais anos ainda, porque, na verdade, o projeto Cozinha Com Rosto começou exatamente no dia 12 de março de 2014, ou seja, numa altura em que eu não imaginava o que iria resultar dali, de uns primeiros posts cujo único objetivo era somente o de partilhar o que eu ía confecionando por casa, de forma a motivar outros a fazerem o mesmo!

Foi algo que foi surgindo, no início, um pouco a «medo», confesso, mas cheia de vontade de aprender coisas novas e de explorar outro mundo que, afinal de contas, tem tudo a ver com o que nós somos e a todos os níveis!

E aos poucos fui fazendo algumas formações, aperfeiçoando algumas técnicas, pesquisando histórias das receitas mais apreciadas, conversando com alguns profissionais na área da cozinha, participando em alguns eventos, etc.

Considero que sou uma pessoa relativamente curiosa e cada vez mais adepta de uma alimentação mais variada possível e ao mesmo tempo  salutar para o nosso próprio organismo, capaz de influenciar os nossos pensamentos e ações de uma forma positiva, perante uma vida infelizmente cada vez mais agitada e sem tempo para os outros ou até para nós mesmos…

E como também sou professora, observo que os jovens de hoje em dia até têm a sua vida bastante facilitada, em que tudo ganha «asas» facilmente, porém, muitas vezes sem perceberem o real sentido das coisas que observam com um simples clicar no écran do seu telemóvel de topo…

Um conselho: marquem na vossa agenda um encontro com vocês próprios e mimem-se um bocadinho todos os dias, de forma a estarem predispostos a aceitar novos desafios no trabalho, a conhecer novas pessoas, a alterar hábitos, ou seja, a concentrarem-se mais no que mais importa e… seguir em frente, porque eu também acredito no destino, já que nada acontece por acaso, pensem nisso!

E porque não marcarmos já um encontro entre nós, através do intitulado Grupo Fechado do Facebook Cozinha Com Rosto aqui?

É certo que o mesmo já foi inaugurado no ano de 2016, não tendo tido a disponibilidade desejada para o desenvolver, mas agora estou mais predisposta a fazê-lo, vamos lá?

Por outras palavras, esta era a grande surpresa do dia: novo lançamento do Grupo Fechado do Facebook Cozinha Com Rosto!

Acrescente-se ainda que, a partir de agora, terei todo o gosto em deixar entrar todo aquele que mostrar interesse por partilhar, tal como eu: receitas, lojas, restaurantes, livros, eventos, histórias da gastronomia, temas a ver com dietas alimentares, notícias e curiosidades a ver com a cozinha em geral, etc.

E não se esqueçam que ainda continua a ser possível fazerem parte do chamado Livro de Receitas do Grupo Fechado do Facebook Cozinha Com Rosto em formato Excel, sendo já possível voltar a inserir as vossas receitas preferidas aqui!

Para finalizar, como eu costumo enviar, mas só para os Subscritores deste Blog, a tal Revista Digital Mensal Cozinha Com Rosto, gratuita e em formato PDF, por acaso gostariam de ver publicadas algumas das vossas receitas nessa mesma Revista?

Por favor, contactem-me através de cozinhacomrosto@gmail, no caso que terem alguma dúvida sobre este assunto ou então sentirem necessidade de obter mais algum tipo de esclarecimento, obrigada.

(fonte: https://www.infopedia.pt/$cinco-(simbologia))

sexta-feira, 8 de março de 2019

Castanheiro-da índia (texto 16 – by Miguel Boieiro)

Quando excursionamos por terras distantes, novas sensações sucedem-se em catadupa. Se não tirarmos fotografias ou redigirmos diários, as imagens que sucessivamente nos chegam à retina acabam por se sobrepor umas às outras e mais tarde já não nos lembramos de todos os detalhes que presenciámos. Contrariamente ao que se diz, o saber ocupa lugar. A quantidade, ou melhor a variedade das sensações que nos surgem por via visual ou auditiva tende a esgotar a nossa capacidade de retenção. Naturalmente que, do todo que nos é dado presenciar, fica na memória só o que mais nos surpreendeu, quer pela sua originalidade, quer pelo seu ineditismo. Esta conversa vem a propósito de uma viagem que fizemos à Ucrânia há 40 anos, país que, nessa altura integrava a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Ao chegarmos a Kiev, vimos monumentos, igrejas, empresas agroalimentares, pessoas simpáticas e belas paisagens, mas se hoje nos perguntarem qual a imagem mais nítida que guardamos no baú da memória, nessa primavera já distante, perfila-se na nossa mente a encantadora avenida Kreshatik, bordejada de altas árvores pejadas de cachos com flores brancas, rosas e vermelhas.

Tais árvores, especialmente fascinantes na primavera, eram e são os castanheiros-da-índia, cientificamente denominados Aesculus hippocastanum L, que ornamentam muitos parques e jardins citadinos, inclusive na nossa Lisboa.

São árvores muito robustas que integram a família das Hipocastanaceae e logram atingir 40 metros de altura, formando belas copas abobadadas. Contrariamente ao que o seu nome indica, elas parecem ser originárias da região europeia compreendida entre o Cáucaso e os Balcãs. A designação científica é composta por “aesculus” que significa azinheira ou fagácea, “hippos” que evoca os cavalos, na suposição de que os frutos poderiam alimentar os equídeos e ”castanum”, devido à semelhança com os frutos comestíveis da Castanea sativa. Todavia, não devemos confundir as respetivas castanhas porque as do castanheiro-da-índia são muito amargas e algo tóxicas. Quando as trouxemos pela primeira vez, seguimos uma recomendação, que ainda não achámos nos livros: a de as depositar dentro dos armários para afugentar as traças.

O castanheiro-da-índia possui tronco ereto e desenvolve ramagens que formam uma estrutura piramidal. As folhas são caducas, grandes (de 30 a 50 cm), opostas, pecioladas, palmadas e divididas de 5 a 7 folíolos, simulando os dedos da mão. Das flores, já mencionámos que formam atraentes cachos. Os frutos são cápsulas espinhosas que, ao amadurecerem, deixam cair, uma só semente.

Estão registadas muitas propriedades medicinais atribuídas a esta árvore ornamental, por via dos seus numerosos constituintes ativos: taninos, amidos, saponósidos, pectina, potássio, cálcio, fósforo e óleo. O que parece ser mais determinante é uma saponina triterpénica, denominada escina.

A farmacopeia extrai laboratorialmente vários elementos para a preparação de diversos remédios aplicados para as insuficiências venosas: varizes, flebites, equimoses, hemorroidas e para facilitar a circulação sanguínea. Alguns extratos denotam atividade anti-hemorrágica e hipoglicémica que poderão contribuir para o tratamento da diabetes.

Certos autores referem a confeção de uma pomada para utilizar externamente a fim de aliviar os transtornos provocados pelas varizes. Outros enumeram vários usos homeopáticos para os problemas circulatórios. Na Turquia reduzem estas castanhas a pó para tratar as doenças pulmonares e as fragilidades capilares. O óleo extraído das castanhas-da-índia entra no fabrico de muitos cosméticos para proteção da pele e do couro cabeludo.

Para terminar, não poderei deixar de recomendar a todos os interessados, a leitura do “best-seller” do americano James A. Duke, denominado “A Farmácia Verde – Herbário Prático” que, para além dos usos terapêuticos, menciona as opções de dosagem e as precauções (níveis de segurança) a seguir com as drogas provenientes do castanheiro-da índia.

Miguel Boieiro

terça-feira, 5 de março de 2019

Sericaia e a Receita Original do Alentejo!

A Sericaia, também conhecida por Sericá ou Cericá, é um doce tipicamente alentejano, com marcas da doçaria conventual – em que há uma abundante utilização de ovos e canela.

Há quem diga que a sericaia é oriunda da Índia e outros dizem que vem do Brasil – o que se sabe ao certo é que esta receita foi implementada no Alentejo pelas mãos habilidosas das freiras do convento de Elvas e de Vila Viçosa, sendo que a tradição está mais ligada a Elvas, onde o doce é decorado com as famosas ameixas da região.

O toque da canela e a textura fofa fazem deste doce uma verdadeira delícia. No entanto, o segredo deste doce conventual, mais do que os ingredientes utilizados, está na forma de o deitar, num prato de estanho ou barro, às colheradas desencontradas.

Ao cozer a sericaia, esta deverá abrir gretas à superfície, dando-lhe o seu aspeto característico.

RECEITA DA CATEGORIA DE SOBREMESA: Sericaia

Ingredientes:

  • 1/2 limão
  • 0,5 l de leite
  • 1 pau de canela
  • 1 pitada de sal
  • 6 ovos
  • 75 g de farinha de trigo
  • 250 g de açúcar
  • canela em pó q.b.

Confeção:

  1. Ligar o forno a 200° C.
  2. Levar o leite a ferver, juntamente com a casca de limão, o pau de canela e sal; retirar do lume quando estiver pronto e deixar arrefecer.
  3. Entretanto, bater muito bem as gemas com o açúcar até obter um creme fofo.
  4. À parte, dissolver, aos poucos, a farinha no leite, para juntar depois o creme de gemas e açúcar e, mexendo sempre, levar a engrossar em lume brando.
  5. Retirar do calor, tirar a casca de limão e o pau de canela e deixar também arrefecer.
  6. Bater as claras em castelo bem firme e incorporá-las cuidadosamente no preparado anterior, que deverá estar frio.
  7. Levar ao forno o tradicional prato de barro, para aquecer.
  8. Deitar o creme no prato em colheradas desencontradas — uma no sentido do centro para as bordas do prato e a outra atravessada.
  9. Polvilhar abundantemente com canela e levar a cozer cerca de 1 hora, devendo fazer-se o “teste do palito”.
  10. Servir a sericaia simples ou então com ameixas de Elvas por cima.

(fonte: http://www.sobremesasdeportugal.pt/sericaia-alentejo-receita-original/,

segunda-feira, 4 de março de 2019

Feijoada à Transmontana servida com Arroz de Forno!

Matou a fome à tripulação das Caravelas e chegou a ser feita com lentilhas ou grão de bico. Só se tornou feijoada com o desembarque português no Brasil e reinventou-se “à transmontana” quando a aldeia de Candedo, em Bragança, deitou mão à receita.

E por acaso sabia que, por exemplo, foram os portugueses que levaram a receita de feijoada para o Brasil?

Em Portugal, existe o hábito de comer cozido às quintas-feiras e aos domingos. Graças à colonização portuguesa, essa tradição também existe no Rio de Janeiro”, diz o historiador Caloca Fernandes, autor do livro Viagem Gastronômica Através do Brasil.

Em almoço de Domingo Gordo, a intitulada então de Feijoada à Transmontana, nunca falta na mesa das famílias de Trás-os-Montes, acompanhada de arroz branco ou de forno. Alguns preferem juntar-lhe couve portuguesa, outros nabiças. E, se uns a confeccionam com feijão encarnado, outros optam pelo branco. Mas são os enchidos típicos, o entrecosto, o chispe e a orelha de porco que fazem da feijoada um pesadelo para a dieta… e um sonho para os transmontanos, que tanto apreciam uma refeição de peso.

Por tradição, este tipo de prato tradicional, começa a ser preparado logo de manhã, para permitir ser reaquecido antes de servir, pois, segundo os entendidos, ele é preferido reaquecido!

No meu caso, eu optei por usar feijão em lata, para facilitar todo o processo, mas fica igualmente ótima e rica em sabores, para além de ter substituído o chispe e a orelha de porco pelo entrecosto carnudo e toucinho entremeado!

RECEITA NA CATEGORIA DE PRATO PRINCIPAL DE CARNE: Feijoada à Transmontana servida com Arroz de Forno

Ingredientes:

Feijoada:

  • 1 lata grande de feijão encarnado cozido
  • 200 g de entrecosto carnudo
  • 200 g de toucinho entremeado
  • 1 chouriço
  • 1 morcela
  • 1 farinheira
  • 1 alheira
  • 1 cebola grande
  • 2 dentes de alho
  • 1 folha de louro
  • azeite q.b.
  • 1 ramo de salsa
  • 1 dl de vinho branco
  • 1 dl de vinho do porto
  • 1 dl de polpa de tomate
  • 2 cenouras
  • 1 couve pequena
  • 1 colher de sopa de massa de pimentão
  • Sal q.b.
  • 1 malagueta

Arroz no forno:

  • 1 medida de arroz agulha
  • 3 medidas de água em que se cozeram as carnes para a feijoada
  • salsa, azeite e sal q.b.
  • 1 alho
  • 1 cebola pequena

Confeção:

  1. Para preparar esta receita, coza primeiro o toucinho, o entrecosto, o chouriço, a farinheira, a alheira e a morcela, tudo junto num tacho com água e sal q. b., para depois reservar.
  2. Ao mesmo tempo, numa panela, vá fazendo um refogado com o azeite, a cebola e o alho picados, para depois juntar o louro e mais tarde o vinho branco, o vinho do porto, a polpa de tomate, a massa de pimentão, a malagueta, o ramo de salsa, as cenouras descascadas e cortadas aos cubos, o toucinho, o entrecosto, o chouriço também cortado em rodelas e ainda a couve em pedaços, de forma a cozinha tudo coberto com parte da água em que se cozeram as carnes.
  3. Começar a preparar o refogado para fazer o “arroz no forno”, num pequeno tacho, no qual se coloca o azeite, a cebola e o alho picados, só devendo verter-se a água a ferver depois de deixar fritar um pouco o arroz e logo a seguir a salsa q.b.
  4. E assim que o arroz começar a cozer no tacho, retirá-lo de imediato, de forma a ser colocado numa travessa de ir ao forno tapada, deixando-o a acabar de cozinhar a 180ºC durante o tempo que for necessário.
  5. Quanto à feijoada propriamente dita, deve entretanto acrescentar-se, na mesma panela, o feijão, a farinheita, a alheira e a morcela, tudo cortado em rodelas, deixando mais alguns minutos a apurar.
  6. Depois servir de imediato a feijoada acompanhada do arroz que a seguir foi retirado do forno.

(fonte: https://asenhoradomonte.com/2012/09/21/feijoada-a-transmontana/,

https://www.teleculinaria.pt/receitas/carnes/feijoada-a-transmontana/,

http://media.rtp.pt/treze/gastronomia/feijoada-a-transmontana/

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-sabado-e-dia-de-feijoada/)

sexta-feira, 1 de março de 2019

Quer Ganhar 1 Almoço para 2 Pessoas?

O restaurante PURO foi um projeto que abriu em Lisboa com a assinatura do conhecido Chef António Amorim, no passado dia 17 de outubro de 2018, apto a colocar à disposição de quem entra, de segunda a sábado, entre as 7h e as 20h, diversos tipos de opções, no que toca a pequenos-almoços, almoços ou lanches, tudo sempre baseado nos produtos mais frescos existentes no mercado, bem como na utilização mínima de açúcar do tipo refinado, produtos com glúten ou ainda demasiado calóricos!

Ou seja, em resumo:

Puro natural and easy é um restaurante de comida saudável, de autor, feita com os ingredientes mais frescos e saborosos a um preço acessível.”

E se este assunto lhe interessa, então quer dizer que tenho uma boa novidade para lhe dar!

Relembre-se ainda que a minha Página do Facebook Cozinha Com Rosto vai celebrar… 5 anos de existência no próximo dia 12 de março! UAU!

Sendo assim, numa nova parceria estabelecida com o Chef António Amorim, a Página do Facebook Cozinha Com Rosto tem para vos oferecer, no Restaurante Puro natural and easy, um ALMOÇO PARA 2 PESSOAS, com direito a Prato, Bebida e Sobremesa, a combinar até dia 15 de março, sendo muito simples de participar!

Regras de Participação:

  • Gostar” da Página do Facebook PURO natural and easy
  • Clicar em “gosto” no post do sorteio no Facebook Cozinha Com Rosto
  • Nos comentários desse mesmo post, completar a frase «Eu gostava de almoçar com… (@nome da pessoa
  • Partilhar com os seus amigos do Facebook esse mesmo post

O sorteio decorrerá a partir de agora, dia 1 de março, até ao próximo dia 6 de março às 23h59m!

O vencedor será sorteado via Random.org, sendo depois contactado por mensagem privada através do Facebook, para se combinar o almoço com o seu amigo convidado no Restaurante Puro natural and easy até dia 15 de março, tendo 48 horas para o fazer, caso contrário será nomeado outro vencedor.

E atenção que até podem participar várias vezes, desde que identifiquem amigos diferentes, ok?

Boa sorte!

E venham mais… 5 anos da minha página do Facebook Cozinha Com Rosto!